O Futuro do Emprego: Quão Susceptíveis à Computadorização estão os Trabalhos?

14 15Há cerca de dois anos o editor desta newsletter tomou conhecimento de um artigo intitulado “The Future of Employment: How Susceptible Are Jobs to Computerisation?” (O Futuro do Emprego: Quão Susceptíveis à Computadorização estão os Trabalhos?), que Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, da Oxford University (Grã Bretanha) publicaram no site da Oxford Martin School daquela universidade.  Naquela oportunidade este editor guardou o artigo para comentá-lo depois de analisar como os economistas de mercado de trabalho estavam tratando a questão.

O artigo examinou quão susceptíveis à computadorização estavam certos trabalhos.  Para avaliar isto, os autores implementaram uma metodologia inovadora para estimar a probabilidade de computadorização de 702 (setecentos e duas) ocupações detalhadas.  Baseado nestas estimativas, eles examinaram os impactos da computadorização futura do mercado de trabalho dos EUA, com o objetivo primário de analisar o número de trabalhos em risco, e o relacionamento entre a probabilidade de computadorização de uma ocupação, os salários e o nível educacional.  De acordo com as estimativas dos autores, algo como 47% do total dos empregos dos EUA estariam em risco.  Além disso, eles apresentaram evidência de que salários e nível educacional exibiam forte relação negativa com a probabilidade de computadorização da ocupação.

Passados dois anos da publicação do artigo, vemos que esta questão está ganhando grande, e preocupante, dimensão.  A convergência de recentes importantes avanços na área de Inteligência Artificial, marcadamente Machine Learning (ver newsletter de 19-04-15) e Deep Learning, e também da área de Autonomous Robotics, com o fato de que as recentes recuperações econômicas da crise financeira internacional de 2007/08 não têm sido acompanhadas de forte recuperação nos postos de trabalho perdidos na crise, tem levado à conclusão de que o que os computadores fazem (isto é, tarefas que eles fazem melhor que humanos), e como essas capacidades complementam ou substituem habilidades humanas nos ambientes de trabalho, é uma questão que merece a devida atenção.

O Prof. David Autor, do Massachusetts Institute of Technology – MIT dos EUA, é um dos especialistas mais reconhecidos nos estudos sobre esta questão.  Em trabalho de 2003 (intitulado “The Skill Content of Recent Technological Change: An Empirical Exploration”, publicado no Quarterly Journal of Economics, 118 (4), November), o Prof. Autor e seus co-autores observaram que, usando dados de tarefas humanas entre 1960 e 1998, no âmbito da indústria, ocupações e grupos educacionais, a computadorização estava associada com a redução de insumos de trabalho de tarefas de rotina manual e tarefas de rotina cognitiva (tarefas cumpridas a partir de regras explícitas), e aumento de insumo de trabalho em tarefas de não-rotina cognitiva (tarefas onde trabalhadores desenvolvem atividades de solução de problemas e atividades complexas de comunicação).

Eles apontaram então para as seguintes evidências:

1) Começando na década de 70, os insumos de trabalho de rotinas cognitivas e tarefas manuais na economia americana declinaram, e os insumos de tarefas não-rotina (analíticas e interativas) aumentaram;

2) Mudanças nos insumos de trabalho favorecendo tarefas não-rotina contra tarefas de rotina foram concentradas em indústrias com acelerada computadorização.  Estas mudanças foram pequenas e insignificantes na década pré-computadores dos anos 60, e aceleradas em cada uma das décadas subsequentes;

3) A substituição das tarefas de rotina em direção a tarefas não-rotina dos insumos de trabalho não foi primariamente contabilizada por elevação educacional; mais que isso, as mudanças de tarefas foram espalhadas em todos níveis educacionais;

4) As ocupações que enfrentaram rápida computadorização reduziram os insumos das tarefas de rotina cognitiva e aumentaram os insumos de tarefas cognitivas não-rotina.

Desde 2003 o Prof. Autor vem pesquisando esta questão, analisando o impacto do comércio exterior dos EUA no mercado de trabalho americano, marcadamente o impacto da competição de produtos industriais chineses.

Este é um assunto bastante complexo e que merece mais atenção dos analistas, principalmente no Brasil, onde a questão do desemprego vai ganhar proporções mais alarmantes nos próximos anos, e onde a necessidade imperiosa de avanços tecnológicos também deverá ser levada em consideração.  Um equilíbrio nestes dois fronts é necessário!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre computadorização dos trabalhos, fique a vontade para nos contatar! 

 

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