A lógica dominante nas empresas em tempos de Big Data (Parte 2)

40 15Na newsletter da semana passada tratamos de uma metodologia, a da “Lógica Dominante”, como um complexo e pouco percebido filtro de informação.  Neste filtro a atenção organizacional é focada somente nos dados considerados “relevantes” pela lógica dominante. Outros dados são amplamente ignorados. Os dados “relevantes” são filtrados pela lógica dominante e pelos procedimentos analíticos usados pelos gestores para ajudar o desenvolvimento da estratégia. Estes dados “filtrados” são então incorporados na estratégia, nos sistemas, nos valores, nas expectativas, e reforçam o comportamento da organização. Nestes termos, a lógica dominante coloca restrições na habilidade da organização em aprender.

A partir desta forma de perceber as organizações é possível argumentar que as nossas empresas de TICs estão permeadas por duas restritivas “lógicas dominantes”: a) Em primeiro lugar, uma subordinação à hegemonia dos valores do modo de produção industrial de bens em detrimento dos valores do modo de produção de serviços; e, b) Em segundo lugar, a hegemonia dos valores da tecnologia em detrimento dos valores dos negócios. E para tirarmos mais proveito das oportunidades do atual contexto econômico, precisamos reverter estas duas lógicas!

E qual é esse novo contexto?  O setor de Serviços já se tornou a atividade econômica dominante nos países avançados, em que mais de 70% dos seus PIBs são constituídos pelos serviços (vários países em desenvolvimento também apresentam este perfil).  No entanto, a maior parte do nosso conhecimento sobre desenho de negócios, isto é, sobre estratégia de negócios e modelos de negócios, tem sido desenvolvida a partir da estrutura da economia baseada na indústria.  Esta mudança em direção aos serviços está empurrando o mundo acadêmico e a indústria a procurar novas perspectivas para o desenho de negócios em um “service dominant world” (mundo dominado pelos serviços).

Esta mudança de uma Goods-Dominant Logic, baseada no modo de produção industrial, em direção a uma Service-Dominant Logic, impõe a necessidade de um redesenho na forma como a tecnologia e a inovação devem ser percebidas no seio das organizações, já que os goods (bens) não representam mais a troca econômica principal, e sim os services (serviços). Neste sentido, os valores que devem preponderar nas empresas (para que elas possam prosperar nesse novo contexto) devem ser os valores definidores das novas estratégias de negócios e novos modelos de negócios com serviços, e não mais os bens. E este fenômeno é cada vez mais visível no setor de TICs, quando estamos vendo as transformações de software em serviços, ou software provido como um serviço (Software as a Service – SaaS), plataformas providas como serviços (Platform as a Service- PaaS), infraestruturas providas como serviços (Infrastructure as a Service), enfim, tudo como um serviço (Everything as a Service- EaaS), o que inclui também dados (Data as a Service- DaaS).

Mas para que isso aconteça, faz-se necessário alterar a lógica dominante nas empresas de TICs, marcadamente as brasileiras, onde prepondera ainda uma hegemonia dos valores da tecnologia em detrimento dos valores dos negócios, como apontado na newsletter de 01/11/2015, em nosso modelo de Innovation Competing Values Framework- ICVF!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre lógica dominante nos negócios, não hesite em nos contatar!

 

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