Modelo de Equilíbrio entre o Tempo de Processamento de Dados e o Tempo de Tomada de Decisões Originais nos Negócios da Era da Internet das Coisas (IoT)

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No dia 11/04/2016 o Prof. Silvio Meira (Professor Emérito da UFPE) publicou em seu popular blog o post intitulado “big data = real time”.  Neste post o Prof. Meira argumenta que na era da Internet das Coisas (IoT) os dados só serão realmente úteis se forem tratados em tempo quasi real.

Para defender este argumento, o Prof. Meira se utiliza de um gráfico (Figura 1 à frente) retirado (e por ele adaptado: ver Figura 2 à frente) de um texto de Richard Hackathorn publicado em “The BI Watch: Real-Time to Real-Value”, gráfico original que foi usado no relatório do Fórum Econômico Mundial intitulado “Global Information Technology Report 2014”, relatório que foi discutido aqui nesta newsletter de 27/04/2014, em sua versão de 2013.

O que gráfico de Hackathorn tenta mostrar é que o valor dos dados capturados em um evento de negócios qualquer cai à medida que o ponto de tomada de decisão para ação, no tempo, distancia-se do ponto em que o evento aconteceu.  O que o Prof. Meira aponta em seu gráfico são os detalhes do processamento dos dados até que seja tomada a decisão para ação.

Este gráfico de Hackathorn nos leva realmente a pensar que quanto mais rápido os dados de um evento de negócio forem tratados, menor será o valor perdido e os dados se mostrarão de maior utilidade.  No entanto, esta é uma leitura parcial da questão, uma vez que ignora a percepção, pelos usuários, da utilidade dos dados.  Neste sentido, valemo-nos do artigo intitulado “Perceived Usefulness, Perceived Ease of Use, and User Acceptance of Information Technology”, de Fred D. Daves, publicado na MIS Quarterly, Vol. 13, No. 3 (Sep., 1989), pp. 319-340.

Neste artigo o autor tenta responder o que leva as pessoas a aceitarem ou rejeitarem tecnologias de informação. Ele percebeu que dentre vários determinantes que influenciam o uso de sistemas, dois são de importância. Primeiro, as pessoas tendem a usar ou não usar uma aplicação à medida que elas acreditam que ela os ajudará em desempenhar melhor seus trabalhos.  Ele denomina isso de Perceived Usefulness (Utilidade Percebida)(aqui denominada PU).   Em segundo lugar, mesmo que os potenciais usuários acreditem que uma dada aplicação é útil, eles podem, ao mesmo tempo, acreditar que os sistemas são difíceis de usar e que os benefícios de desempenho pelo uso são superados pelos esforços de usar tal aplicação. Isto é, em adição à utilidade, o uso é teorizado como sendo influenciado pelo Perceived Ease of Use (Facilidade de Uso Percebida)(aqui denominada PE).

Estes dois conceitos (PU e PE) foram introduzidos na Figura 1 de Hackathorn formando a Figura 3 à frente.  Nesta figura foi adicionada uma curva inclinada para cima (intitulada “curva não-quase-real”), da direita para a esquerda, indicando que no início do tempo para ação (action time) as pessoas tendem a confundir PU com PE (confusão que desaparece ao final do action time); ou seja o esforço para usar os dados (ou tecnologia de dados) é percebido pelos usuários como sendo grande (daí a facilidade ser vista como baixa – PE baixa), e a mesma é entendida como a PU (apesar de serem distintas), ou seja, a utilidade é entendida como baixa.  Mas à medida que o tratamento dos dados avança no tempo (ou a tecnologia dos dados), o esforço de usar é percebido como atenuado e o usuário passa a perceber (e usufruir) o maior valor dos dados, ao ponto de perceber a real diferença entre PU e PE.

Sendo assim, uma decisão informada de equilíbrio será aquela que será tomada quando o tempo razoavelmente necessário para um processamento adequado dos dados coincidir com o tempo razoavelmente necessário para a tomada de consciência do valor incremental dos dados, à medida em que estes dados são mais (e melhor) tratados ao longo do tempo.

Para completar o modelo, adicionamos a este gráfico da Figura 3 o conceito de “decisão original” a partir do conceito de “pessoas originais” desenvolvido por Adam Grant no seu livro “Originals: How Non-Conformists Move the World”, publicado em fevereiro deste ano pela editora norte-americana Viking.  Grant se preocupou com a questão de como nós originamos novas ideias, políticas e práticas sem arriscá-las.  Usando estudos e estórias que atravessam as áreas de negócios, política, esportes e entretenimento, ele explorou como reconhecer uma boa ideia, falar sobre ela sem se sentir silenciado, construir uma coalisão de aliados, escolher um tempo certo para agir, e gerenciar o medo e a dúvida; explorou como pais e professores incentivam originalidade nas crianças; e como líderes podem construir culturas que dão obas vindas às disputas.

Segundo Grant, as pessoas originais são aquelas pessoas que são não-conformistas, pessoas que não somente têm novas ideias, mas tomam ações para torná-las campeãs.  Para tanto, ele observou o comportamento de dois tipos de pessoas. Existem as pessoas que se antecipam aos fatos e as tomadas de decisão, cumprindo antecipadamente tarefas e trabalhos, e os chamados pré-crastinadores, e aquelas que atrasam as tomadas de decisão, postergando tarefas e trabalhos, os chamados procrastinadores.

Grant observou que as pessoas originais não são nem pré-crastinadoras (já que estas estão tão ansiosas em finalizar suas tarefas antecipadamente que não têm ideias novas) nem muito procrastinadoras (que também não têm muitas ideias novas por estarem ocupadas em terminar suas tarefas no pouco tempo que detêm); ou seja, as pessos originais são encontradas numa região intermediária entre estas duas categorias (mas ele concede que os procrastinadores são mais geradores de novas ideias do que os pré-crastinadores).

E foi assim que plotamos uma curva pontilhada (voltada para baixo) na Figura 4 à frente, conformando os polos dos pré-crastinadoras de um lado, e dos procrastinadores do outro, apontando (numa região intermediária) o espaço das ideias originais que, de alguma forma, pode coincidir com o ponto de equilíbrio entre o tempo de processamento de dados e o tempo de tomada de decisões originais nos negócios, e da Era da Internet das Coisas (IoT), já que estamos adentrando esta nova era.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre este modelo de equilíbrio entre o tempo de processamento de dados e o tempo de tomada de decisões originais nos negócios da Era da Internet das Coisas (IoT), fique a vontade para nos contatar!

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