O Setor de Serviços no Comércio Exterior: uma potencial saída da crise!

11 16Enquanto quase 2/3 de toda atividade econômica no mundo é feita pelo setor de Serviços, o comércio exterior de serviços representa uma pequena proporção do comércio mundial, entre ¼ e 1/5 quando medido com base na balança de pagamentos dos países.  Mas uma recente pesquisa da OCDE (Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento, ou OECD, em inglês) aponta que muitos serviços são comercializados incorporados nos produtos.

Utilizando o enfoque do Valor Adicionado (ver newsletter de 04/05/2014), os Serviços representam quase a metade (50%) do comércio mundial. Por um lado, isto é explicado pela crescente capacidade de comercialização global dos serviços devido ao progresso tecnológico, mas também pela liberalização do comércio e do investimento.  Por outro lado, isto é o resultado da fragmentação da produção e do papel essencial dos serviços em conectar atividades que são geograficamente dispersas nas Cadeias Globais de Valor (CGVs).  Mais de do que nunca, a economia mundial depende de transporte, logística, serviços financeiros, e de uma variedade de serviços para movimentar produtos, pessoas e capital no mundo.  Todas as novas evidências nas cadeias globais de valor apontam para a importância dos Serviços como insumos do novo comércio internacional (Miroudot e Sherpard, 2015).

Os serviços não são apenas a “cola” nas cadeias globais de valor; eles são também crescentemente vistos como “atividades adicionadoras de valor” no seu próprio direito. Os serviços estão por trás da inovação empresarial em vários níveis (e esta newsletter tenta registrar isso desde 2007). Crescentemente a Pesquisa e o Desenvolvimento (P&D) e as atividades de design que estão no começo da cadeia de valor estão sendo terceirizadas e se tornando insumos de serviços nas CGVs.

Mesmo se o P&D é desenvolvido in-house, é também através dos serviços (treinamento, educação) que o capital humano necessário é mantido.  Melhorias em habilidades, e da mesma forma serviços de consultoria e outros tipos de serviços de negócios, podem aumentar a produtividade das empresas em qualquer estágio na cadeia de valor.  Outro tipo de inovação é a inovação de produto.  Mais e mais empresas estão desenvolvendo seu valor adicionado ao fazer o “bundling” (agregação) de produtos com serviços.

Ao invés de vender produtos, as empresas estão vendendo “soluções”; serviços ao consumidor são uma parte integral de suas estratégias para adicionar valor.  Interações entre produtores e consumidores levam à maiores níveis de customização.  E estas soluções ajustadas também incrementam a produtividade e contribuem para o crescimento econômico.

Se os serviços têm hoje toda essa importância, por que no Brasil nunca se definiu, ao nível nacional, uma Política Nacional de Serviços?  Quando se percebe que mais de 70% do valor adicionado no nosso país tem origem no setor de Serviços de nossa economia (mais especificamente 72% do PIB, como pode ser visto na Tabela 1 à frente), essa pergunta ganha ainda mais significado.  O que se pretende afirmar com isso não é colocar o setor de Serviços como um contraponto (em termos de ênfase) ao setor Industrial, por exemplo.  Muito ao contrário, o que estamos apontando é que já chegou a hora de atentarmos para o fato de que pensar, e tentar implementar políticas públicas no país exclusivamente para o setor Industrial, sem levar em consideração o papel estratégico hoje do setor de Serviços para a produção de produtos (marcadamente dos industriais, bem como outros) é um erro que não podemos mais incorrer!

Além do mais, é preciso olhar o setor de Serviços do Brasil como uma potencial saída da atual crise econômica em que estamos imersos!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o setor de Serviços da economia, não hesite em nos contatar!

 

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