Serviços, Serviços, Serviços: o mundo é dos Serviços!

12 16Na newsletter da semana passada apontamos para o Trade de Serviços como uma potencial saída da crise em que o Brasil está imerso. A ideia fundamental por trás daquela newsletter foi a de apontar para o papel cada vez mais relevante dos Serviços como atividades adicionadoras de valor à produção econômica e para o crescimento econômico.

Ao longo de mais de 200 anos economistas vêm argumentando que o crescimento econômico está associado ao Setor Industrial.  Os Serviços, ao mesmo tempo, têm sido considerados como non-tradable (não comercializáveis, do ponto de vista internacional), servis, de baixa produtividade, e de baixa inovação.  Os Tigres do Leste-Asiático são as histórias de sucesso clássicas sobre como o passo convencional para o crescimento passa pela industrialização (Ghani e O´Connell, 2014).

No entanto, este “passo convencional” para o desenvolvimento parece estar sendo questionado em outras regiões do mundo, marcadamente pelo fato de que o setor industrial está declinando como percentual do PIBs em várias nações.  Mudanças tecnológicas tornaram o setor industrial mais intensivo em capital e em habilidades.  Logo, está criando cada vez menos empregos. 

Alguma forma de desindustrialização prematura parece ter se estabelecido.  Isto parece se dever ao fato de que consumidores e famílias em países desenvolvidos gastam menos em bens manufaturados do que em serviços.  Tal fenômeno coloca um limite em como países retardatários no desenvolvimento podem crescer através da industrialização.  No entanto, não existe tal limite nos serviços.

O que de fato está ocorrendo no mundo é que a globalização dos serviços é uma ponta num iceberg.  Enquanto empregos no setor industrial estão diminuindo globalmente, os empregos nos serviços continuam a expandir.  Ou seja, a Terceira Revolução Industrial liderada pelos Serviços está contrariando cinco dogmas do desenvolvimento econômico assumidos durante longos anos (Ghani e O´Connell, 2014):

● Primeiro, os serviços têm sido pensados como sendo guiados pela demanda doméstica.  Eles não podiam, por si sós, guiar crescimento econômico, mas, ao contrário, seguiam o crescimento.  O comércio internacional dos Serviços era limitado porque requeria proximidade e interação face-a-face entre comprador e vendedor. No entanto, este não é mais o caso, à medida que a tecnologia permite que os serviços sejam produzidos e comercializados tais como produtos;

● Segundo, o comércio global de serviços tem explodido, e está crescendo mais rápido do que em produtos.  O custo de comercializar serviços que podem ser digitalizados tem caído dramaticamente e os serviços não têm que enfrentar alfândegas e outras barreiras logísticas;

● Terceiro, os serviços eram considerados como tendo produtividade mais baixa do que os manufaturadores, e se concentravam em setores informais.  No entanto, a tecnologia, o comércio e as cadeias de valor têm alterado as características dos serviços. Inovações em comunicação e transporte têm contribuído para as cadeias globais de valor serem estendidas em serviços, tal como elas têm sido estendidas em partes e componentes de bens manufaturados;

● Quarto, pensava-se que os bons empregos eram criados somente no setor industrial.  Isto não é mais o caso, seja em países de alta ou de baixa renda;

● Quinto, um crescimento liderado pelos serviços é compatível com um tipo de crescimento mais verde, inclusivo e amigável do ponto de vista de gênero.

Afinal, se a grande maioria das coisas provém de Serviços, por que o Brasil ainda não acordou para os serviços do ponto de vista de políticas públicas para o desenvolvimento?  Alô novo Governo Federal!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o papel do Setor de Serviços para o desenvolvimento, fique a vontade para nos contatar!

 

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