O Digital Single Market Europeu e os produtos e serviços de ecossistemas de plataformas

13 16Pouco mais de quatro anos atrás o editor desta newsletter definiu o conceito de Trindade Essencial (ver newsletter de 17/06/2012, onde o divulgou de maneira formal).  Como afirmávamos à época, para que um segmento de alta tecnologia tenha sucesso, não basta apenas ter um “ecossistema” de empresas e organizações associadas; o essencial é que esse ecossistema esteja voltado a produzir “plataformas” (de preferência globais) de geração de produtos, processos e serviços, e que estas definam sólidas “arquiteturas de indústrias”, tal como faz os EUA, e, de modo particular, o Vale do Silício. Esta é a base do conceito de “Trindade Essencial”.

O conceito foi apresentado em eventos acadêmicos e se tornou parte do livro “Effects of IT on Enterprise Architecture, Governance and Growth”, comentado na newsletter de 01/02/2015. De 2012 para cá tivemos a oportunidade de divulgar a crescente literatura a respeito do conceito de plataformas tecnológicas, especificamente nas newsletters de 19/08/2012, de 16/09/2012, e de 17/02/2013.

Hoje vemos que estes conceitos estão deixando de ser um objeto de interesse apenas de estudiosos, e estão começando a fazer parte do cotidiano dos policy makers (fazedores de políticas), particularmente os Europeus. Em 06 de maio de 2015 a Comissão Europeia adotou uma ambiciosa estratégia para completar o seu visionário Digital Single Market, um ambicioso projeto para preparar a Europa para a Economia Digital derrubando as paredes regulatórias e movendo os mercados nacionais de 28 países em direção a um único mercado.

Os três pilares centrais desta estratégia são: a) melhor acesso para consumidores e negócios aos bens e serviços digitais na Europa; b) Criar as condições corretas e um ambiente adequado para redes digitais e serviços inovadores florescerem; e, c) maximizar o potencial de crescimento da economia digital.

Como parte do segundo pilar a Comissão Europeia se comprometeu a analisar o papel das plataformas online.  Este trabalho envolveu considerar o grau de transparência, o uso da informação, e as práticas competitivas. Como estava sofrendo queixas na Comunidade Europeia sobre suas práticas competitivas, a empresa Google resolveu contratar um estudo que demonstrasse como as plataformas online poderiam ser definidas, e como avaliar como tanto os consumidores como os negócios interagem com, e se beneficiam de, plataformas online. O relatório contratado pela Google visou contribuir para este debate com duas questões centrais: 1) Qual é a definição de uma plataforma online?; e, 2) Que valor as plataformas online ofertam aos consumidores e negócios europeus?

Sem adentrar na inteireza do relatório, e simplificando a exposição dos seus resultados, o relatório aponta que dada a extensão do uso e dos diferentes modelos, a análise estabelecida sugere que não há uma única definição de uma plataforma online que seja útil de uma perspectiva de policymaking.  A noção comum de “plataforma online” parece assimilar aplicações e websites que são muito dissimilares e que operam em mercados bastante distintos. Além do mais, a noção não satisfaz o propósito de um contexto regulatório ou de antitruste.  As plataformas têm importantes papeis em trazer as pessoas e/ou negócios para junto.  Elas ajudam a facilitar trocas sociais e comerciais de produtos e serviços, e informações que não aconteceriam de outra forma.  Os autores do relatório testaram alguns destes benefícios aos consumidores e aos negócios e os resultados sugerem que esses benefícios são experimentados amplamente em ambos grupos.

No entanto, esse relatório contratado pela Google parece não ter cumprido seu efetivo papel, e o Center for European Policy Studies organizou um seminário em 17 de novembro de 2015 para responder praticamente às mesmas perguntas: 1) O que é uma plataforma; e, 2) É necessária uma regulação específica para ela? Voltaremos a este seminário numa outra oportunidade.

O que fica patente a partir destes dois casos acima relatados, é que o conceito de plataforma (bem como dos produtos e serviços de ecossistemas de plataformas) está começando a ganhar corpo, e nós ficamos bastante satisfeitos em ver que algo que começamos a discutir (e problematizar na academia e na imprensa acadêmica) tempos atrás começa a repercutir em termos de práticas efetivas de políticas e de negócios.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre plataformas, fique a vontade para nos contatar!

 

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