Ministro José Serra: olhe os fluxos digitais globais!

14 16Estamos com um novo Governo Federal (mesmo que interino) e um novo Ministro das Relações Exteriores, o Senador José Serra.  Sendo assim, gostaríamos de enviar uma mensagem ao novo Ministro chamando a atenção para os fluxos digitais globais e sua importância para o desenvolvimento neste século 21.

No dia 25 de março deste ano a economista Laura Tyson, Professora da Universidade da Califórnia/EUA, e a economista Susan Lund, do McKinsey Global Institute- MGI/EUA publicaram um artigo intitulado “Globalização digital e desenvolvimento”.  Neste artigo as autoras defendem que a globalização está entrando em uma nova era, definida não apenas pelos fluxos de bens e capital, mas também, e cada vez mais, por fluxos de dados e informações. Segundo elas, essa mudança parece favorecer as economias avançadas, cujos setores econômicos situam-se na fronteira do emprego de tecnologias digitais em seus produtos e operações, e indagam se os países em desenvolvimento ficarão para trás.

As autoras apontam que segundo uma nova pesquisa do MGI, os fluxos internacionais de produtos, serviços, recursos financeiros, pessoas e dados a partir de 2007 fizeram o PIB mundial crescer em torno de 10% - um adicional de aproximadamente US$ 7,8 trilhões apenas em 2014.  Os fluxos de dados representaram cerca de US$ 2,8 trilhões desse crescimento, exercendo maior impacto do que o comércio mundial de bens – uma descoberta notável, uma vez que as redes comerciais mundiais se desenvolveram há séculos, enquanto os fluxos internacionais de dados apenas engatinhavam 15 anos atrás.

No dia 18 de abril deste ano a advogada Anne-Marie Slaughter, CEO da New America, um think tank dos EUA, publicou um artigo no Financial Times, intitulado “Conexões, não armas, tornam os países poderosos”.  Neste artigo ela defende que os Estados mais conectados, empunhando influência e controlando fluxos de informação, são mais úteis em fazerem as coisas acontecerem no mundo do que aqueles que simplesmente possuem grandes exércitos.  Citando um novo estudo do MGI, que mede o “Connectdness Index” (Índice de Conexidade, já que relativo a conexões, e não especificamente conectividade, no sentido digital - connectivity), ela aponta que nas próximas décadas a influência sobre os fluxos globais digitais irá crescer muito mais em termos de importância, e nós iremos ver o desenvolvimento de ferramentas sofisticadas para impor sanções digitais, bloqueando o comércio, informação e comunicação, mas permitindo o restante.

Segundo ela, as “lentes da conexidade” oferecem uma perspectiva útil para entender o debate sobre a participação britânica na União Europeia - UE (conhecido como “Brexit”- saída dos britânicos).  Para demonstrar que o status quo oferece uma codependência altamente benéfica tanto para os britânicos quanto para a EU, ela aponta os seguintes números (a partir do Connected Index).   Quando os scores de todos os Estados-Membros são combinados, a UE como um todo se posiciona em terceiro lugar no connected index, atrás de Cingapura e dos EUA.  Sem a Grã-Bretanha – GB, os 27 Membros ficam na quarta posição; GB sem EU fica em terceiro lugar.

A razão para isso é que muitos fluxos dos 27 membros da EU são dentro da união: 45% do comércio de produtos; 52% do comércio de serviços; 62% dos fluxos de investimento direto estrangeiro- IDE; 72% dos fluxos de pessoas; e 77% dos fluxos de dados.  O Reino Unido- RU representa um perfil quase oposto: 70% dos fluxos de comércio do RU são com o resto do mundo, fora da EU; 86% do comércio de serviços; 63% dos fluxos de IDE; e 62% dos fluxos de pessoas. Logo, a participação da GB na UE permite que ela participe inteiramente dos fluxos intra-união que criam a maior economia do mundo; e oferece aos 27 membros da EU um elo vital para o resto do mundo.  Ela segue apontando outros fatores como sendo importantes para a permanência do RU na EU, tais como a diplomacia.

No limite, o recado que aqui fica dado a partir destes dois artigos é que os fluxos digitais globais, associados a uma competente diplomacia, substanciada por uma ampla rede de conexões globais, são ingredientes fundamentais para o desenvolvimento no século 21.  Torçamos para que o novo Ministro das Relações Exteriores esteja antenado com essas transformações!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre fluxos digitais globais, fique a vontade para nos contatar! 

 

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