Por que a Microsoft comprou a LinkedIn?

18 16Semana passada o mundo corporativo (marcadamente o de tecnologias de informação e comunicação- TICs) foi balançado com a notícia de que a Microsoft adquiriu a LinkedIn por US$ 26,2 bilhões. A compra repercutiu amplamente e muitos analistas passaram a ponderar sobre as razões desta compra em particular (não somente pelo fato da Microsoft ter tido um histórico recente de compras fracassadas, mas pelo impacto que essa nova compra representa em termos de tendências do mercado global de TICs).

O site Adweek.com ponderou que a compra tornou a Microsoft um competidor profissional real na cloud para a empresa Salesforce (que a Microsoft desejou comprar no ano passado).  Ao integrar o LinkedIn à sua suíte de CRM (Customer Relationship Management), a Microsoft passa a ter uma poderosa ferramenta verdadeiramente diferenciada, e uma que se apresenta como uma ameaça real à Salesforce (pioneira em CRM e Cloud).  O site qz.com apontou que com uma base de 400 milhões de usuários, o valor da LinkedIn está nos serviços que ela vende para departamentos de recursos humanos sobre como achar talentos.   O site vox.com defende que a compra cristaliza a nova estratégia corporativa da Microsoft.  O sucesso anterior dela adveio do domínio do mercado de software para PCs, seguido de uma batalha em que tentou copiar esse modelo para o mundo móvel e falhou.  Agora, sob a direção do CEO Satya Nadela, a Microsoft está tentando se tornar uma empresa que vende serviços online para consumidores empresariais.

O conceituado site techcrunch.com foi mais longe.  Além de apontar que há um leque de maneiras em que a Microsoft planeja tirar vantagem dessa compra, que vão desde coleta de dados para ter um pé na área Social, até re-imaginar os negócios de gestão de talentos e recrutamento, integrando o LinkedIn com o Microsoft Office, o site aponta a própria explicação da compra pela Microsoft no site da SEC, a autoridade americana encarregada de registrar esses atos.  Segundo a Microsoft hoje não há no mercado uma única fonte de dados sobre profissionais individuais; tudo está espalhado e desatualizado.  Ao integrar os dados do LinkedIn ao Office 365, email e outras apps de comunicação, os usuários estariam mais inclinados a manter aquela informação atualizada, de forma a estarem visíveis para amigos, colegas e outros, bem como acessível a qualquer um que desejasse saber mais sobre o background de uma profissional ou sua experiência.

No entanto, na opinião da Creativante a melhor (mais sólida) explicação para essa compra veio de Sangeet Paul Choudary, autor do livro Platform Scale e co-autor do livro Platform Revolution. Para opinar sobre a compra, Choudary entrevistou o empreendedor Myk Pono, que fez um contraste entre o que representa, em termos de negócios, a LinkedIn e a Salesforce.  Segundo Pono, Salesforce tem infraestrutura e funcionalidade; LinkedIn tem dados.  O CRM da Salesforce oferece funcionalidade enquanto usa recursos significativos para as empresas clientes começarem a usar.  No entanto, ao ser implementado o cliente começa com uma planilha vazia sem qualquer dado disponível.  Salesforce tentou resolver isso comprando a Data.com, o que não se mostrou proveitoso em termos de dados frescos e acurácia.  Por outro lado, LinkedIn tem o que Salesforce não tem – acurácia e dados frescos.

A partir daí Choudary parte para a sua comparação, o que pode ser visto na Figura 1 à frente.  Segundo ele, LinkedIn tem uma tremenda vantagem na camada de rede/comunidade, a qual a capacita para produzir um amplo conjunto de dados pessoais de seus usuários; mas ela não tem a infraestrutura, ou mais especificamente, as ferramentas para usar estes dados para capturar os clientes da Salesforce.

Salesforce tem ferramentas, e LinkedIn tem dados. É mais fácil para um produzir ferramentas do que o outro adquirir dados. Além do mais, LinkedIn fará mais do que trazer uma nova fonte de receita para um modelo de negócio de plataforma ao expandir sua camada de infraestrutura; vai também encorajar muitas empresas no ecossistema de vendas a sair da Salesforce.

A partir daí, Choudary apresenta dois cenários. Primeiramente ele concorda com o argumento principal de Pono de que dados são um ativo mais difícil de replicar.  Construir uma infraestrutura para se mover para CRM faz todo o sentido.  No entanto, com a compra da Microsoft há dois cenários:

 1- Enfraquecer as camadas de rede e de dados: a Microsoft, que nunca entendeu as camadas de rede e de dados, gerencia erradamente a aquisição e mata as duas camadas que já funcionam bem para a LinkedIn;

2- Cresce a camada de infraestrutura: a Microsoft, com sua extraordinária habilidade em construir ecossistemas de desenvolvedores, permite que a LinkedIn continue a gerenciar independentemente as camadas de rede e de dados, e aumenta isso com sua habilidade de promover um ecossistema para construir a camada de infraestrutura.

Resumindo, Choudary afirma que vai ser interessante assistir como isso se desenrola!

Nós da Creativante secundamos inteiramente a perspectiva assinalada por Choudary.  E se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre este tipo de aquisições, fique a vontade para nos contatar!

 

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