Produtividade do Setor de Serviços, Política de Comércio Exterior e Exportação de Produtos Manufaturados

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Apesar de representar 72% do PIB do país, o setor de serviços da economia brasileira está órfão de uma Estratégia, a começar pelo BNDES- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Um atestado dessa orfandade é o registro das ações do governo federal entre os anos de 2003 e 2015; praticamente quase todas as políticas de desenvolvimento neste período deram prioridade unicamente ao setor industrial (e siglas não faltam para registar esse predomínio: PITCE, PDP, PBM, Plano Brasil Mais Produtivo, dentre tantas).


No entanto, o que mais se observa no mundo e na literatura internacional é o patente reconhecimento da importância do setor de serviços nas modernas economias do século 21.  Hoekman e Shepherd (2015) apontam que muitos serviços são insumos para a produção de outros serviços e produtos.  Como resultado, seus custos e qualidade impactam no crescimento do desempenho da economia.

Um eficiente e competitivo setor financeiro é crítico para assegurar que o capital seja empregado onde há os maiores retornos.  Telecomunicações de baixo custo e alta qualidade geram benefícios para toda a economia, à medida que este serviço é tanto um bem intermediário quanto um mecanismo de transporte de serviços de informação e outros produtos que podem ser digitalizados.  De forma semelhante, serviços de transporte contribuem para a eficiente distribuição de serviços no interior dos países e entre países, e são os meios através dos quais provedores de serviços se movem para os locais dos clientes (e vice versa).  Serviços de negócios tais como contabilidade e serviços jurídicos reduzem custos de transação associados com a operação de mercados financeiros, e o cumprimento dos contratos.  Serviços de distribuição do atacado e do varejo são um elo vital entre produtores e consumidores, com as margens que são aplicadas à provisão de tais serviços influenciando a competitividade das empresas tanto nos mercados locais quanto internacionais.

Uma importante característica de muitos serviços é seu papel de intermediário: uma variedade de serviços ao produtor dá suporte ao processo de uma crescente especialização associada com o desenvolvimento econômico.  Serviços ao produtor são cada vez mais insumos intermediários diferenciados na produção, e desempenham uma importante função na coordenação dos processos de produção, tanto dentro dos países quanto entre os países.  Logo, eles desempenham um papel crítico na operação (viabilidade) das cadeias globais de valor.  Ganhos de produtividade em atividades de serviços ao produtor deveriam, portanto, afetar tanto a produtividade das empresas que usam serviços quanto seu desempenho exportador.

Começando nos anos 1980, os governos em todo o globo reduziram enormemente as tarifas e barreiras discriminatórias contra a importação de produtos e serviços.  No entanto, o fluxo internacional de produtos e serviços continua a ser impactado pelos altos custos do comércio exterior.  Desta forma, a agenda da redução dos custos do comércio exterior revolve em torno da melhoria do desempenho do setor de serviços: reduzindo os custos dos serviços como insumos para as empresas e aumentando a variedade e a qualidade dos serviços ao produtor e dos backbone services, tais como transporte.

Usando dados do World Bank Enterprise Surveys para analisar como a produtividade dos serviços impacta na produtividade das empresas industriais (manufatureiras), e a relação entre essas últimas e o desempenho das exportações ao nível das empresas, ou seja, focando no impacto indireto da produtividade dos serviços no desempenho da exportação de produtos manufaturados, Hoekman e Shepherd (2015) chegaram às seguintes conclusões..

Eles observaram um fortíssimo elo entre o desempenho do setor de serviços e do setor industrial.  Consistente com o que já havia sido observado em estudos específicos de países, o elo entre a produtividade dos serviços e a produtividade do setor manufatureiro é mais forte para empresas que se utilizam de serviços como insumos mais intensivamente. A uma taxa média de intensidade de serviços de insumos, uma melhoria de 10% na produtividade dos serviços está associada com um aumento na produtividade do setor manufatureiro de 0.3%, e um resultante aumento nas exportações de 0.2%. Eles também observaram que o índice de restritividade ao comércio de serviços tem um impacto significativo no comércio de produtos manufaturados, e que o mesmo indica que o principal canal pelo qual as atuais políticas de comércio de serviço afetam negativamente a exportação de produtos manufaturados é através do FDI- Foreign Direct Investment (Investimento Direto Estrangeiro). Não sem surpresa, já que o FDI é um canal chave para o comércio em serviços, já que o mesmo é um importante veículo através do qual serviços de tecnologia e know-how são transferidos entre os países.

Não é preciso ir muito longe (documentando trabalhos como o aqui resenhado) para se perceber a importância do setor de serviços para economia. Qualquer cidadão brasileiro hoje sabe o que significa a interrupção dos serviços proporcionados pela empresa WhatsApp (como vem ocorrendo no país desde o ano passado) para o comportamento da economia! Logo, alô governos! Querem que desenhe?

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