A Empresa (tradicional) morreu!

25 16É preciso proclamar em alto e bom som: a empresa tradicional, tal como passamos a conhecer mais em detalhes a partir do século 20, morreu e está sendo substituída pela nova empresa do século 21! Mas como chegamos a esta conclusão?

Há três estruturas fundamentais que governam a natureza de toda atividade econômica: consumidores, produtores e o modo, a infraestrutura mediadora, em que o valor é intercambiado entre elas.  Esko Kilpi, em um instigante  post (aqui retratado), recorda-nos que durante séculos desde a publicação do livro “A Riqueza das Nações”, publicado por Adam Smith em 1776, o principal tema da maioria dos economistas tinha sido que o planejamento centralizado não era necessário, ou mesmo bem vindo, para fazer um sistema econômico funcionar bem.  A necessária coordenação seria o resultado de mecanismos de preços e informação nos mercados.

Ronald Coase (1910-2013) foi um dos primeiros economistas que começou a questionar este pensamento principal em Economia.  Se um sistema de preços e a competição poderiam desempenhar toda a coordenação que é necessária, por que nós temos planejamento centralizado, não somente nos agora distantes países comunistas, mas também em empresas que trabalham bem e têm sucesso?  Por que nós precisamos de administração, cuja função é coordenar? Por que nós não nos apoiamos nos mercados?

Ronald Coase acomodou estas duas diferentes visões, e no verão de 1932, com apenas 22 anos, encontrou a resposta. Ele percebeu que havia custos envolvidos em usar o mecanismo dos preços.  As necessidades e as ofertas têm que encontrar umas as outras.  Os preços têm que ser descobertos. Negociações precisam se conduzidas. Contratos têm que ser feitos.  Há disputas que mais tarde terão que ser resolvidas.  Adam Smith não viu isso.  Esses custos não eram parte desta equação da “mão invisível”.  Ronald Coase chamou esses custos de custos de transação.

O argumento revolucionário era que uma empresa deveria emergir, existir e continuar a existir com sucesso, se ela desempenhasse seu planejamento, coordenação e funções de gestão a um custo menor do que seria incorrido por meio das transações de mercado, e também a um custo menor que seria aplicado se as mesmas coisas pudessem ser desempenhadas por outra empresa.  Aí é onde a competição deveria manter as empresas internamente eficientes, e onde a não-competição no setor público cria modelos de governança complexos e ineficientes e unidades que são muito grandes.

A existência de altos custos de transação fora das empresas levou à emergência da empresa como nós a conhecemos, e à administração como nós ainda temos.  Uma grande parte da atividade econômica hoje é ainda projetada a cumprir o que altos custos de transação no mercado preveniam antes.  Mas o mundo mudou.

Kilpi faz uma interessante proposição. O que realmente importa agora é o lado reverso da argumentação de Coase.  Se os custos (de transação) de intercambiar valor na sociedade como um todo caem drasticamente como está acontecendo hoje, a forma e a lógica das entidades econômicas necessariamente precisam mudar! O discernimento de Coase “girado 180 graus” é motor número um da mudança de hoje!  A empresa tradicional é a alternativa econômica mais cara. Isto é algo que Coase não pode ver surgindo.

Desta maneira, um diferente tipo de gestão é necessário quando a coordenação pode ser desempenhada sem intermediários com a ajuda de novas tecnologias.  A transparência digital torna a transparência responsiva possível.  Esta é a principal diferença entre Uber e serviços velhos de taxis.  Aplicativos podem agora fazer o que gestores faziam. 

Finalmente, Kilpi aponta que a Internet é não menos do que um evento ao nível de extinção da empresa tradicional. Ela, a Internet, junto com inteligência tecnológica, torna possível criar novas formas de entidades econômicas totalmente novas, tais como as plataformas/mercados de serviços tipo “Uber para tudo”, que nós vemos emergir nos dias atuais.  Empresas muito pequenas podem fazer coisas que no passado requeriam organizações muito grandes.

Em resumo, podemos dizer que de fato a empresa tal como a conhecemos desde o século 20 está morta, e novas formas empresarias estão dominando a cena econômica!

Se sua atual empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o que é a nova empresa, fique a vontade para nos contatar!

 

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