Ethereum e o movimento da descentralização/upgrading da Internet

26 16Em uma matéria de julho próximo passado, a revista The Economist apontou para uma mudança de opinião do fundador da web no mundo, Tim Berners-Lee.  Segundo a revista, Berners-Lee termina seu livro intitulado “Weaving the Web”, de 1999, com uma nota otimista: “A experiência de ver a web decolando a partir do esforço de milhares, dá-me uma tremenda esperança que ... nós podemos coletivamente tornar nosso mundo aquilo que nós quisérmos”. Quase duas décadas depois o inventor da web não parece mais estar tão otimista. Ele declarou numa conferência em junho próximo passado em São Francisco, na Califórnia, que “o problema é a dominância de um engenho de busca, uma rede social, um Twitter para microblogging”.

A observação de Berners-Lee de que a Internet se tornou fortemente centralizada não é nova, mas as advertências como a dele cresceram e ficaram mais barulhentas.  Estima-se que os muitos sites do Google atraem 40% de todo o tráfego na web.  As aplicações do Facebook são dominantes nos smartphones. Juntas estas duas empresas irão brevemente abocanhar 2/3 de toda a receita de propaganda online do planeta.  A compra do Linkedin pela Microsoft, um gigante de software e cloud computing, vai reforçar essas preocupações.

Em anos recentes outros “pontos de controle” têm emergido. Smartphones, que agora geram mais da metade do tráfego online, não são tão abertos como plataforma como a Internet é: o acesso aos dois sistemas operacionais móveis, Android e iOS, é regulado por Google e Apple, respectivamente. Cloud computing, também, é um negócio centralizado, com a Amazon liderando o pacote, seguido da Microsoft e Google. Estas mesmas empresas, bem como Facebook, estão no controle de pilhas cada vez mais crescentes de dados pessoais e outros.  Tais informações, em última instância, permitem que gigantes online “prevejam, conformem e orientem” o comportamento de milhões de pessoas.

Agora um novo “bando” de empreendedores e empresas de capital de risco está emergindo com a missão de “redescentralizar” a Internet (*). Se a descentralização está tendo agora um retorno é grandemente por conta da emergência do bitcoin, uma criptomoeda, e da tecnologia por trás dela, o blockchain.  Blockchain é um banco de dados globalmente distribuído, o qual é mantido não por um ator único, tal como um banco, mas colaborativamente por muitos.

Ethereum, uma plataforma de aplicativos baseados em blockchain, é uma das novas iniciativas desse novo contexto. É uma plataforma descentralizada que roda smart contracts (contratos inteligentes): aplicações que rodam exatamente como programadas sem qualquer possibilidade de downtime (interrupção), sem censura, fraude ou interferência de terceiros. Essas aplicações rodam num blockchain customizado, uma infraestrutura global de compartilhamento enormemente poderosa que pode mover valor e pode representar a posse de ativos (propriedades).

Para transacionar smart contracts (com um cripto ativo chamado Ether) na plataforma Ethereum, foi estabelecida a ideia de criação de DAOs – decentralized autonomous organizations (organizações autônomas descentralizadas) que são entidades virtuais que existem no cyberspace/Internet. Uma DAO existe quando um grupo de pessoas decide formar uma DAO. A The DAO é a primeira DAO Ethereum blockchain criada no mundo. Sua criação, durante um período de 28 dias terminado em 28/05/2016, foi o maior projeto de crowdfunding do mundo até o momento (por exiguidade de espaço deixaremos para tratar os mecanismos operacionais do Ethereum, e assemelhados, em outra oportunidade).

Por ora, só gostaríamos de registar que este mundo novo da descentralização ainda está na sua infância, mas pela forma como está atraindo a atenção das comunidades de programadores e estrategistas do mundo, certamente ainda dará muito o que falar!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o movimento de descentralização da Internet, ou o “upgrading da Internet”, fique a vontade para nos contatar!

(*) Esta não é a primeira vez que uma nova tecnologia se moveu contra as forças de centralização, como recorda a revista The Economist. No início dos anos 2000 serviços “peer-to-peer” tais como Napster e Kazaa, por exemplo, permitiram usuários compartilharem música mais do que baixarem elas de um servidor central. Mas ações jurídicas de gravadoras, e uma falha em encontrar meios de lucrar nesses serviços, significou que essas tecnologias terminassem ficando limitadas a alguns poucos serviços, como Skype.

 

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