Cobrar impostos de Robôs?

05 1 17Daniel Gross é Editor Executivo da revista Strategy + Business. Em um pequeno artigo em sua revista neste início de março, ele notou o estranho momento que estamos vivendo.  Nos EUA há algo como 5,5 milhões de vagas de empregos não preenchidas, de acordo com o departamento de estatísticas de trabalho naquele país.  Indústrias tais como construção, enfermagem, manufatura, e frotas de caminhões estão reportando falta de mão de obra. 

Ao mesmo tempo, constata Gross, pensadores, autores e homens de negócios, tais como Bill Gates, estão crescentemente fazendo alarmantes previsões de que máquinas e robôs estão dispensando a necessidade de trabalho humano. Bill Gates foi mais longe. Ele afirmou em entrevista recente que “os governos deveriam cobrar impostos das empresas que usam robôs, como um modo de, pelo menos temporariamente, diminuir o ritmo da automação e financiar outros tipos de empregos”. 

Em resposta a esta proposição de “taxar robôs”, Larry Summers, Professor da Harvard University e ex-Secretário do Tesouro dos EUA, defendeu em artigo também recente para o jornal Financial Times, que “robôs são criadores de riqueza e taxá-los é ilógico”. 

Primeiramente, ele não vê qualquer lógica em destacar robôs como destruidores de empregos.  O quê então dizer de quiosques que dispensam os boarding passes de viagens de avião? E os programas de processamento de texto que aceleram a produção de documentos? E as tecnologias móveis bancárias? E os veículos autônomos? E as vacinas, que ao prevenir doenças, destroem empregos em medicina?  Há muitas categorias de inovação que permitem a produção de mais e melhores produtos com menos insumos de trabalho. Por que então pegar os robôs? Será que o Mr. Gates pensa que alguém, quem dirá o Congresso dos EUA, ou a administração Trump, ou uma comissão dos seus tecnocratas, pode distinguir atividades poupadoras de trabalho das reforçadoras? Certamente mesmo que especialistas pudessem estabelecer tais distinções, a habilidade do Internal Revenue Service (a “Fazenda”, ou o “Leão” dos EUA) administrá-las está posta em questão.

Em segundo lugar, Summers aponta que muito da atividade inovadora, mesmo da variedade de robôs, envolve produzir melhores produtos e serviços, mais do que simplesmente extrair mais produto do mesmo insumo.  Veículos autônomos, por exemplo, irão provavelmente ser mais seguros do que os dirigidos por humanos. A robótica já ajuda cirurgiões a desempenhar melhor certas operações do que eles próprios. Os sistemas de reservas online são mais rápidos e mais convenientes do que os agentes de viagem.  Além do mais, por conta da emulação e da competição, inovadores capturam somente uma parte do benefício de suas inovações.  Dito isso, segue que há mais um caso para subsídio do que taxar tipos de capital que incorporam inovação.

Em terceiro lugar, e talvez mais fundamentalmente, por que taxar em formas que reduzem o tamanho da “torta” ao invés de achar maneiras que assegurem que uma torta maior seja bem distribuída?  Imagine-se que 50 pessoas possam produzir robôs que irão fazer o trabalho de 100.  Um imposto suficientemente alto nos robôs os preveniria de serem produzidos. Certamente seria melhor para a sociedade, ao invés, desfrutar do produto extra e estabelecer impostos adequados e transferências para proteger os trabalhadores deslocados? É difícil ver porque diminuir a torta, mais do que alargá-la tanto quanto possível, e, daí distribui-la, seria o caminho a seguir.

Finalmente, Summers defende que nenhum destes argumentos minimiza o problema da destruição de empregos e crescente desigualdade (apesar de ser um grande paradoxo que nós estejamos vendo uma destruição rápida de empregos sem precedentes por máquinas, enquanto ao mesmo tempo observamos um crescimento extraordinariamente baixo da produtividade). Mais que isso, eles sugerem que repelir o progresso é uma estratégia pobre de ajudar os trabalhadores menos afortunados.  Em adição às dificuldades de definição e custos colaterais, há ainda o problema de que num mundo aberto, impostos sobre tecnologia provavelmente levarão a produção offshore, mais do que criar empregos em casa.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre taxação de robôs, fique a vontade para nos contatar!

 

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