A transição de empresa-produto para empresa-plataforma: implicações da identidade organizacional

07 17Está na moda nos dias atuais se falar sobre plataformas online. Os exemplos de sucesso deste tipo de modelo de negócio são visíveis: Uber, Airbnb, Spotify, WhatsApp, e por aí vai. Aqui nesta newsletter já tratamos em algumas ocasiões (ver as newsletter dos dias 10/07/2016, 17/07/2016, 31/07/2016).  Os exemplos acima citados são de negócios que já se iniciaram como modelos de negócios baseados em plataformas.

Mas o que dizer daqueles que começaram como empresas de produtos e transicionaram para plataformas?  Aqui nesta mesma newsletter já tocamos neste tema na newsletter de 04/09/2016.  Como este assunto está ganhando muito interesse nas comunidades de negócios, pelo fato de que muitas empresas já fizeram essa transição com sucesso (vide Google, Apple, Microsoft, Facebook, dentre outras), e que muitas estão planejando fazer o mesmo movimento (mas ainda sem o devido conhecimento), é oportuno colocar aqui algumas questões relevantes.

Em um texto inicialmente lançado como working paper na Harvard Business School em 2014, e depois publicado em The Oxford Handbook of Creativity, Innovation, and Entrepreneurship (Oxford University Press), em 2015,  Elizabeth J. Altman e Mary Tripsas, publicaram o artigo “Product to Platform Transitions: Organizational Identity Implications”.

Neste artigo as autoras apontam que as organizações estão crescentemente reconhecendo que, o valor que elas derivavam por ofertar produtos únicos, pode ser significativamente aumentado se elas transicionarem para negócios baseados em plataformas, as quais energizam as capacidades inovadoras dos seus complementadores. 

Segundo elas, enquanto a dinâmica competitiva dos negócios baseados em plataformas tem sido estudada extensivamente nas literaturas de economia e estratégia, as implicações organizacionais de migrar de um modelo de negócios de produto para um baseado em plataforma permanecem um tema inexplorado.  Elas argumentam que tal mudança não é simplesmente uma mudança operacional, mas que isso deve desafiar a essência de como uma organização se vê, o que remete à questão da identidade organizacional.

As organizações que se definiram historicamente como criativas e inovadoras devem ter tido problemas em aceitar um contexto baseado em plataforma onde outsiders (pessoas ou entidades fora dela) se engajam em boa parte da atividade criativa.  A identidade organizacional pode também influenciar se, e como, as organizações se tornam baseadas em plataformas.  Para ter sucesso, as autoras defendem que as organizações devem questionar os elementos de suas identidades atuais, e as devem modificar ativamente para se tornarem consistentes com seus novos enfoques de negócios.

Caminhando por essa mesma via de pensamento, está também o Professor William Barnett, da Stanford University, nos EUA.  Segundo ele, as empresas são muito ruins em termos de mudanças organizacionais.  Ele defende, por exemplo, que a disrupção não é somente tecnologia; é sobre uma mudança na lógica de um negócio. Esse posicionamento é consistente com a literatura econômica sobre o impacto de projetos de TICs na organizações.  Segundo essa literatura, um implementação de sucesso de um projeto de TIC requer a reorganização da empresa em torno dessa nova tecnologia.  Reorganização incorre em custos, e marcadamente custos associados às questões das identidades organizacionais.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre questões de mudanças organizacionais, fique a vontade para nos contatar!

 

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