O quê empresas de Private Equity (PE) fazem?

10 17Conhecido no Brasil como “capital empreendedor”, a indústria do risk capital (capital de risco) se apresenta em estágios de evolução (no suporte às empresas), comumente reconhecidos como Pré-Semente (na fase de startup), Capital Semente (fase de crescimento), Venture Capital (na fase de consolidação), e Private Equity (na fase de maturidade).

Como pode ser visto na Figura 1 à frente, as fases pré-semente e de capital semente envolvem as etapas iniciais de uma startup (empresa emergente), o que acontece através de investidores anjo e/ou FFF (family, friends and fools – familiares, amigos e outros), ou também de fomento de incubadoras e aceleradoras de empresas. Logo em seguida, na sua etapa de crescimento inicial, a startup pode contar com empresa de venture capital (capital de risco). Mas nas etapas de crescimento mais intensivo, quando ela atinge as etapas de consolidação, seguida da de maturidade, a empresa investida conta com as chamadas empresas de fundos de Private Equity- PE (Figura 2 à frente) até atingirem as etapas de Initial Public Offering (IPO) e posteriores.

Para receber aportes de PE, a empresa tem que apresentar uma boa capacidade de gestão e uma visão aguçada sobre o mercado onde atua. O que se busca nesta fase é apoio para definição de uma estratégia de consolidação dentro desse mercado, visando maturidade, o que pode advir por meio de eventuais fusões e/ou aquisições de outras empresas.

Mas o quê fazem as empresas de PE? De forma geral, as empresas de PE tomam decisões que contribuem para o aumento ou maximização do valor das empresas investidas.  A literatura econômica aponta para três tipos de ações que são orientadas para a maximização de valor: a) Engenharia Financeira; b) Engenharia de Governança; e, c) Engenharia Operacional.

Em recente trabalho intitulado “What Do Private Equity Firms Do?” (título desta newsletter), Paul Gompers (da Harvard Business School e do Nacional Bureau of Economic Research- NBER, dos EUA), Steve N. Kaplan (University of Chicago e NBER) e Vladimir Mukharlyamov (Harvard University) pesquisaram 79 empresas de PE, com um total de US$ 750 bilhões de ativos de PE sob gestão no final de 2012.  Eles obtiveram respostas de 64 dessas empresas, representando um total de mais de US$ bilhões em ativos sob gestão.

Os autores fizeram perguntas sobre engenharia financeira (como as empresas de PE valoram empresas, como pensam sobre a estrutura do portfólio de capital, e sobre gestão de incentivos), sobre engenharia de governança (como elas pensam sobre governança e monitoramento), e sobre engenharia operacional (como elas pensam sobre criação de valor, tanto antes do fechamento da transação quanto depois). Além do mais, os autores procuraram investigar se o que os investidores de PE “dizem que eles fazem” conforma com aquilo que os pesquisadores acadêmicos pensam sobre o “quê deveria ser feito” nessas matérias!

Do ponto de vista de viabilidade econômico-financeira de investimentos, os autores observaram que poucos investidores de PE usam técnicas como discounted cash flowDCF (fluxo de caixa descontado) ou net presente value - valor presente líquido para avaliar investimentos.  Mais que isso, eles se apoiam em taxas internas de retorno e múltiplos de capital investido. 

Além disso, poucos investidores de PE usam o tradicional modelo CAPM- Capital Asset Pricing Model (Modelo de Precificação de Ativos de Capital) para determinar o custo do capital.  Ao invés, os investidores de PE tipicamente miram um alvo de 22% de taxa de retorno em seus investimentos, em média (com a vasta maioria das taxas de alvo ficando entre 20 e 25%), um retorno que parece ser bem acima de uma taxa base de CAPM.

Os autores apontam que, em termos de gestão de portfólio, os investidores de PE esperam prover fortes incentivos de ativos para os times de gestão das empresas investidas, e acreditam que tais incentivos são importantes.  Eles regularmente trocam a gestão central, tanto antes quanto depois do investimento.  Adicionalmente, eles estruturam conselhos de investidores pequenos com um mix de insiders, investidores de PE e outsiders.

Finalmente, os autores mostraram que os investidores PE dizem que eles colocam uma ênfase pesada na adição de valor ao portfólio de suas companhias investidas, tanto antes quanto depois que eles investem. As fontes de valor, por ordem de importância, são crescimento das receitas, melhoria de incentivos e governança, facilitando um alto valor de saída ou venda, fazendo aquisições adicionais, substituindo gestão e reduzindo custos.

Há muita coisa ainda a ser aprendida no ciclo de financiamento de empresas, marcadamente como isso se comporta em países como o Brasil. De toda forma, o breve relato aqui descrito aponta para a complexidade do fenômeno de transformar empresas startups (emergentes) em empresas growups (de crescimento)!

Se sua empresa, organização ou instituição, deseja saber mais sobre fomento a empresas, não hesite em nos contatar!

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