A Quantidade e a Qualidade do Empreendedorismo

11 17Em newsletter de 16/08/2014, alertávamos sobre o “paradoxo do empreendedorismo” nos EUA (de que apesar da fama de país empreendedor e inovador, a proporção de empresas que são “jovens” – startups – tem caído ao longo dos últimos trinta anos). Na newsletter de 30/11/2014, retomávamos a discussão sobre as causas da diminuição do empreendedorismo nos EUA.

Este paradoxo voltou ao debate recentemente através de um novo estudo que tentou desvendá-lo. Ou seja, como seria possível conciliar um declínio secular na taxa de dinamismo de negócios e na idade dos estabelecimentos do setor privado americano, com a recente “explosão” de atividade de startups ao longo da última década, incluindo níveis de investimento de capital de risco não observados desde os últimos anos da década de 90?

Num artigo intitulado “The State of American Entrepreneurship: New Estimates of the Quantity and Quality of Entrepreneurship for 15 US States, 1988-2014” (O Estado do Empreendedorismo Americano: Novas Estimativas da Quantidade e da Qualidade do Empreendedorismo para 15 Estados dos EUA, 1988-2014), publicado em março de 2016, no NBER- National Bureau of Economic Research, Jorge Guzman e Scott Stern, da MIT Sloan School of Management, apresentam uma nova interpretação sobre o fenômeno. Para os autores, tudo é uma questão de analítica de dados.

O enfoque inovador dos autores em medir a qualidade empreendedora combina três discernimentos inter-relacionados. Primeiramente, um requisito prático para qualquer empreendedor orientado ao crescimento é o registro do negócio (se registra como uma corporação, parceria ou uma limited liability company- LLA, forma que não existe no Brasil). Em segundo lugar, foi possível medir características que incluem como a empresa é organizada, como ela é nominada, e como a ideia por trás do negócio é protegida.  Estas características podem refletir escolhas dos fundadores sobre como eles percebem seu negócio como tendo alto potencial. Por último, foi possível observar significativos resultados de crescimento para algumas empresas (por exemplo, atingir IPO ou aquisição de alto valor em seis anos de fundada), e, portanto, puderam estimar a relação entre esses tipos de resultados de crescimento e características de startups.

Sendo assim, o trabalho oferece novas evidências para iluminar este debate ao estimar medidas de qualidade empreendedora baseadas em analítica preditiva e registros abrangentes de negócios. O alto nível de assimetria observado nos dados existentes motivou o desenvolvimento de três novas estatísticas econômicas que, simultaneamente, dão conta tanto da quantidade quanto da qualidade do empreendedorismo: o Entrepreneurial Quality Index (EQI, medindo o nível de qualidade média entre um grupo de startups dentro de um determinado cohort de dados, permitindo o cálculo da probabilidade de um resultado de crescimento para uma empresa numa população especificada de startups), o Regional Entrepreneurial Cohort Potential Index (RECPI, medindo o crescimento potencial das empresas fundadas no interior de uma dada região e período de tempo - o RECPI multiplica o EQI e o número de startups no interior de uma dada região geográfica), e o Regional Entrepreneurship Acceleration Index (REAI, medindo o desempenho de uma região ao longo do tempo em materializar o potencial das empresas nela fundadas).

Os resultados do trabalho apontaram o seguinte.  Primeiro, em contraste com o secular declínio anteriormente observado, observou-se um padrão cíclico que parece ser sensitivo ao ambiente do mercado de capitais e às condições econômicas como um todo.  Segundo, enquanto o pico do valor da relação RECPI para o PIB (medida primária do potencial de crescimento do empreendedorismo para um determinado cohort de startup) foi registrado em 2000, o nível geral durante a primeira década de 2000 é na realidade maior do que o nível observado entre 1990 e 1995, e, adicionalmente, observou-se uma aguda subida no começo de 2010. Finalmente, há uma impressiva variação ao longo do tempo na probabilidade de empresas startups, para um determinado nível de qualidade, materializarem seu potencial (REAI).

Em resumo, apesar dos autores apontarem para algumas limitações no enfoque adotado, os resultados oferecem uma nova perspectiva sobre o estado do empreendedorismo americano (e, por extrapolação, algo que contribui muito para o entendimento do empreendedorismo em outras nações). Mais importante ainda, os resultados apontam que a recente mudança (de atenção) em direção às jovens empresas é enriquecida por levar em conta a heterogeneidade entre novas empresas.  Mesmo na mesma indústria, há significativa heterogeneidade entre novas empresas em suas ambições e potencial inerente para crescimento.  Estes resultados remetem a novos e interessantes posicionamentos quanto ao estabelecimento de novas políticas (marcadamente quanto à consideração sobre a qualidade do empreendedorismo).

Se sua empresa, organização ou instituição, deseja saber mais sobre quantidade e qualidade de empreendedorismo, fique a vontade para nos contatar.

 

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