China Manufacturing 2025

15 17A European Chamber of Commerce in China (Câmara Europeia de Comércio na China) publicou recentemente um importante documento, intitulado “China Manufacturing 2025: Putting Industrial Policy Ahead of Market Forces” (Manufatura da China 2025: Colocando Política Industrial à Frente das Forças de Mercado). Este não é um documento qualquer; trata-se de um componente crucial de uma estratégia global da segunda maior potência econômica do mundo neste século 21.

Em 2015 o Ministry of Industry and Information Technology (MIIT) - Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China divulgou o seu plano “Made in China 2025” (Feito na China 2025), uma iniciativa (começada em 2013) para avançar, de forma compreensiva, a indústria chinesa.  A iniciativa foi inspirada na iniciativa alemã denominada “Indústria 4.0” (que foi discutida em 2011, mas só adotada em 2013, cujo coração é a manufatura inteligente, i.e., aplicar as ferramentas das tecnologias de informação na produção), e no Advanced Manufacturing Partnership (AMP) dos EUA, lançado em 2011 (a iniciativa está aliada às medidas de reindustrialização desenvolvidas na primeira década deste século nos EUA).   

O plano chinês tem princípios, metas, ferramentas e foco setorial, como descrito a seguir:

- Seus princípios-guia são tornar a manufatura intensiva em inovação, enfatizar qualidade acima da quantidade, atingir o desenvolvimento verde, otimizar a estrutura da indústria chinesa, e fomentar o talento humano;

- A meta é fazer um upgrade compreensivo da indústria chinesa, tornando-a mais eficiente e integrada de modo que possa ocupar as mais importantes partes das cadeias de produção globais.  O plano identifica a meta de aumentar o conteúdo doméstico de componentes centrais e materiais para 40% em 2020 e 70% em 2025;

- Apesar de haver um papel significativo para o Estado em prover uma ampla estrutura, utilizando ferramentas financeiras e fiscais, e para dar um suporte à criação de centros de inovação em manufatura (15 em 2020 e 40 em 2025), o plano também remete ao uso de instituições do mercado, fortalecendo a proteção aos direitos de propriedade intelectual nas estratégias de negócios, e permite que empresas auto-declarem seus próprios padrões e ajudem e as ajuda a participar no contexto dos padrões internacionais;

- Apesar de a meta ser o upgrade da indústria como um todo, o plano salienta 10 setores prioritários: 1) Novas tecnologias de informação avançadas; 2) Ferramentas de máquinas automáticas e robótica; c) Equipamentos aeroespaciais e aeronáuticos; d) Equipamentos marítimos e navegação high-tech; e) Equipamento de transporte ferroviário; f) Veículos com novas energias e equipamentos; g) Novos materiais; h) Biofarma e produtos médicos avançados.

O que a European Chamber of Commerce in China argumenta, ao denominar a iniciativa “Made in China 2025” como “China Manufacturing 2025” (ou CM2025) é que está claro que esta última tentativa chinesa não é para ser alcançada através de medidas que irão estabelecer uma economia de mercado. Ao invés, os oficiais do governo chinês assumiram a tarefa deles mesmos estabelecerem o desenvolvimento e selecionaram a dedo as indústrias que eles acreditam irão liderar a economia chinesa no futuro .

A European Chamber of Commerce in China considera que, apesar da iniciativa chinesa aumentar os investimentos em P&D, tentando encorajar sua indústria doméstica melhorando sua qualidade a eficiência, ter “grande mérito”, o amplo conjunto de ferramentas que estão sendo empregadas para facilitar o desenvolvimento do CM2025 é altamente problemático (a posição da Câmara de Comércio dos EUA em relação ao CM2025 caminha em semelhante direção).

As ferramentas acima mencionadas são: subsídios; protecionismo; novas pressões nos negócios estrangeiros para transferência de tecnologias centrais; a aquisição de companhias com tecnologias avançadas na Europa e em outros lugares, frequentemente com suporte de fundos de investimento apoiados pelo Estado; e o estabelecimento de cada vez maiores empresas estatais que estão sendo posicionadas como campeões nacionais, enquanto suas gestões estão frequente e simultaneamente politizadas. Não foi por outra razão que a European Chamber of Commerce in China deu o seguinte sub-título ao documento aqui resenhado: “Colocando Política Industrial à Frente das Forças de Mercado”. 

E por que tanto a iniciativa chinesa, quanto a reação dos europeus a ela, interessam ao Brasil?  Primeiramente, porque o Brasil está enfrentando dois contenciosos na Organização Mundial do Comércio, um da Comunidade Europeia e outro do Japão, que dizem respeito exatamente a um conjunto de ferramentas que empregamos para o desenvolvimento de nossa indústria (e, de forma particular, nossa Lei de Informática – ver newsletter de 19/03/2017). Em segundo lugar, porque as políticas industriais que foram desenhadas e implementadas no Brasil de 2003/4 para cá, não contribuíram para melhorar o desempenho da nossa indústria, como apontamos na newsletter de 14/05/2017.

Neste sentido, pensar “novas políticas industriais” no Brasil, hoje, requer uma profunda reflexão sobre “a parte que nos cabe neste latifúndio”; ou seja, requer que pensemos qual é o papel do nosso país na nova geopolítica internacional, o que necessariamente demanda incorporar (em nossas estratégias) as estratégias dos novos players neste novo cenário!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre China Manufacturing 2025, fique a vontade para nos contatar!

 

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