Como ajudar a nossa indústria na Era da Indústria 4.0?

24 17Em abril deste ano quatro técnicos do BNDES, Gilberto Borça Jr., Guilherme Tinoco de Lima Horta, João Marco Braga da Cunha e Felipe Guatimosim Maciel, publicaram um texto para discussão (N° 114) intitulado “A indústria, o PSI, o BNDES e algumas propostas”. O texto é introduzido da seguinte forma:

A indústria brasileira está em crise. A produção industrial encontra-se atualmente em patamar equivalente ao observado em janeiro de 2004. Trata-se, portanto, de mais de uma década perdida. Se confirmadas as atuais expectativas de mercado para o crescimento industrial até 2021, ainda assim não será possível recuperar o tempo perdido.

Para lidar com o problema, um pleito comum clama por maior atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No entanto, esse tipo de argumentação geralmente despreza o fato de que o Banco já atuou de forma bastante agressiva ao longo dos últimos anos, notadamente entre 2009 e 2015, por meio, principalmente, do Programa BNDES de Sustentação do Investimento (BNDES PSI).

Nesse contexto, este artigo busca contribuir para o debate sobre a indústria no Brasil. Os objetivos são vários. Primeiro, mostrar que tanto componentes cíclicos quanto fatores estruturais estão por trás da anemia industrial brasileira. Segundo, expor dados sobre a atuação recente do BNDES, com destaque para o BNDES PSI. Terceiro, discutir fatores que têm limitado os ganhos de produtividade industrial. Quarto, apresentar propostas que poderiam compor uma agenda de reformas.”

O texto é longo (50 páginas), mas dentre as propostas aventadas pelos autores, foram discutidas: (i) a estrutura tributária; (ii) as instituições trabalhistas; (iii) o ambiente de negócios; (iv) a abertura comercial; (v) a qualidade da educação e do capital humano; (vi) a infraestrutura; (vii) o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I); e (viii) as práticas de gestão.

Os autores constataram que o cerne da atual “anemia industrial brasileira” reside nos seus fatores estruturais, ou seja, em sua produtividade e, consequentemente, em seus custos unitários de produção. Segundo eles, os tópicos acima citados representam os verdadeiros entraves da produtividade da indústria no Brasil, nos quais pequenos avanços poderiam ser transformadores.

A questão que não quer calar é a seguinte: como essa nossa indústria, nas atuais condições expostas pelo texto mencionado, pode tirar proveito da nova Era da Indústria 4.0?  Como já comentado na newsletter de 21-05/2017, a Indústria 4.0, iniciativa do governo alemão discutida em 2011, mas só adotada em 2013, tem como foco central a manufatura inteligente, isto é, aplicar as ferramentas das tecnologias de informação e comunicação na produção.

A Confederação Nacional da Indústria – CNI já produziu um documento sobre desafios para a Indústria 4.0 no Brasil. A agenda de propostas da CNI sobre o tema inclui: i) aplicações nas cadeias produtivas e desenvolvimento de fornecedores; ii) mecanismos para induzir a adoção das novas tecnologias; iii) desenvolvimento tecnológico; iv) ampliação e melhoria da infraestrutura de banda larga; v) aspectos regulatórios; vi) formação de recursos humanos; e vii) articulação institucional.

O que podemos afirmar neste momento é que essa agenda da CNI representa o quê os industriais desejam que seja feito. A questão relevante é a de como isso pode ser feito.  O que nós da Creativante defendemos é que, para além das propostas sugeridas pelos autores do texto acima referido, nós precisamos de uma agenda voltada para o Futuro.  E essa agenda se traduz em alguns breves pontos:

i) Precisamos repensar o foco de nossas políticas econômicas. A prioridade dada aos problemas fiscais e ao mercado de trabalho não é adequada aos desafios que a economia enfrenta;

ii) Para aumentar nossa produtividade precisamos focar na demanda externa, e não na demanda interna do país.  O Brasil representa apenas 3% da economia mundial;

iii) Precisamos repensar a orientação histórica de nossas políticas comerciais: de políticas setoriais/verticais (agronegócio, industrial e de comércio e serviços) para políticas horizontais de produção e consumo;

iv) Precisamos considerar que há no mundo uma mudança substantiva na natureza tanto da organização da produção mundial (nos seus ecossistemas de inovação, nas governanças desses ecossistemas, e nas suas arquiteturas de negócios), quanto das empresas, que estão deixando de serem empresas-tubo (ou de produto) para serem empresas-plataforma;

v) E precisamos considerar a mudança na natureza dos produtos (hoje mais intensivos em serviços inteligentes e conectados) e da competição mundial.

Em resumo: falta-nos Propósito, Missão e Estratégia! O Propósito representa a razão de nossa existência, enquanto país.  A Missão se traduz em reconhecer quem nós estamos servindo. E, finalmente, a Estratégia representa o como nós vamos fazer aquilo que pretendemos. 

Enquanto não discutirmos qual é o nosso propósito, nossa missão e nossa estratégia, nós não vamos tirar o “trem do pântano e tampouco colocá-lo no trilho” (aqui usando a metáfora do Prof. Afonso Celso Pastore caricaturando a condição da economia brasileira, que nos últimos anos “saiu do trilho e caiu num pântano”).

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a indústria brasileira, fique a vontade para nos contatar!

 

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