Produzindo Prosperidade: Porque a América Precisa de Uma Renascença Industrial

27 17Em 2012 os Professores Gary P. Pisano e Willy C. Shih, ambos da Universidade de Harvard nos EUA, publicaram, pela Harvard Business Review, um livro com o título desta newsletter. No livro é apontado que as companhias competem a partir das decisões que elas tomam.  Por anos – mesmo décadas – em resposta à intensificação da competição global, as companhias decidiram terceirizar suas operações de manufatura de forma a reduzir custos.

Mas agora (2012, data do livro) nós estamos vendo o alarmante efeito de longo-prazo dessas escolhas: em muitos casos, uma vez que as capacidades manufatureiras foram embora, também foram as habilidades para inovar e competir.  A manufatura, então, realmente importa em uma economia guiada por inovação.

Neste livro os autores mostram as consequências desastrosas de anos de frágeis decisões de terceirização e subinvestimento em capacidades manufatureiras. Eles revelam como as operações subavaliadas de manufatura de hoje (2012) frequentemente sustentam as sementes dos novos produtos inovadores de amanhã, argumentando que as companhias devem reinvestir em desenvolvimento de novos produtos e processos no setor industrial dos EUA.  Somente revivendo o que eles chamam de “industrial commons” (algo como as bases mínimas) poderia, a maior economia do mundo, construir a expertise e a musculatura para reconquistar vantagem competitiva.  Ou seja, a América necessita (2012) uma renascença manufatureira – para se recuperar e à economia mundial como um todo.

Isto irá requerer grandes mudanças.  Os autores mostram como escolhas ao nível das companhias são chaves para o sucesso sustentável de indústrias e economias, e eles oferecem aos líderes industriais um arcabouço para entenderem os links entre a manufatura e a inovação que as (empresas) capacitam a tomar melhores decisões de terceirização. Eles também detalham como governos devem mudar seu suporte à pesquisa científica básica e aplicada, e promover colaboração entre os negócios e a academia.   

O arcabouço desenvolvido pelos autores é mostrado na Figura 1 à frente. Segundo o arcabouço, se um país deseja se reindustrializar, precisa gerar políticas para os setores onde a manufatura industrial é parte integral do processo de inovação.  E isso depende do grau de modularidade dos processos industriais (ou seja, da habilidade dos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento - P&D e da manufatura industrial operarem independentemente um do outro), e da maturidade da tecnologia do processamento manufatureiro.  Em ambos casos, o país precisa contar com ecossistemas de inovação que desenvolvam habilidades e competências tanto para os mercados locais quanto para os mercados internacionais.

O conceito de modularidade já foi tratado aqui nesta newsletter em outras oportunidades, tais como em 21-04-2013 e 28-04-2013.  Mesmo que o livro tenha sido feito observando a economia americana cinco anos atrás, sua contribuição para se pensar o futuro da indústria brasileira (atualmente em uma grave crise, como apontamos na newsletter de 23-07-2017) é de extrema importância, já que ele indica como os processos da indústria são parte importante dos processos de inovação, marcadamente quando se foca nos conceitos de modularidade e maturidade dos processos envolvidos.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre processos de reindustrialização, fique a vontade para nos contatar!

 

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