Acting Now, Acting Together

30 17A fama do Fundo Monetário Internacional – FMI nunca foi boa no Brasil. Na década de 1980, a conhecida “década perdida”, o FMI era sinônimo de “restrições ao país”.  Passadas as negociações da nossa dívida externa, o FMI se afastou um pouco do imaginário popular.

Agora que estamos saindo da mais severa crise econômica, política e moral de nossa história, eis que o FMI chama mais uma vez nossa atenção, só que agora num contexto mais ameno e favorável.  No ano passado, um grupo de técnicos do FMI produziu o seu relatório Fiscal Monitor April 2016, em mais uma de suas pesquisas de suas World Economic and Financial Surveys, com o título “Acting Now, Acting Together” (Agindo Agora, Agindo Juntos)

Segundo este relatório, o enfraquecimento da recuperação global e as preocupações com a habilidade dos policymakers em ofertar uma resposta adequada e rápida, tinham assombreado (pouco mais de um ano atrás) as perspectivas econômicas.  Como resultado, os riscos para a economia (como também apontado um ano atrás no World Economic Outlook) e sistemas financeiros (no Global Financial Stability Report) haviam aumentado substantivamente.  Naquele ambiente difícil, argumentava o FMI, políticas fiscais deveriam ser preparadas para responder prontamente para dar suporte ao crescimento e reduzir as vulnerabilidades.

Foi neste contexto que o relatório aqui tratado foi preparado.  O documento foi dividido em dois grandes capítulos. No primeiro capítulo, intitulado “Navigating a Risky World” (Navegando num Mundo Arriscado), como o próprio título diz, foi feita uma análise das tendências de piora fiscal nas diversas economias do mundo.  E no segundo capítulo, foi apresentado um inusitado tema para os padrões históricos do FMI, intitulado “Fiscal Policies for Innovation and Growth” (Políticas Fiscais para Inovação e Crescimento).

Depois de muitos anos tratando essencialmente de questões monetárias, o FMI divulgou uma publicação contendo uma temática vinculada ao “mundo real”, tratando de questões que são centrais a todos os países do mundo neste século 21: produtividade, inovação e crescimento!

Segundo o relatório, a produtividade se moveu para o topo da agenda de política global.  E neste capítulo o FMI mostra que a política fiscal é um potente instrumento para o crescimento da produtividade através de inovação.  A análise foca em três canais da inovação: pesquisa e desenvolvimento (P&D), transferência de tecnologia, e empreendedorismo.  E para surpresa de muitos, as mensagens chave de políticas do FMI são as seguintes:

● Os governos em muitos países deveriam fazer mais para promover P&D;

● Nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento, os governos deveriam investir em educação, infraestrutura e instituições;

● Políticas fiscais para estimular empreendedorismo inovador deveriam ter como alvo novas empresas, mais do que empresas pequenas;

Em resumo, aponta o FMI, políticas fiscais podem contribuir significativamente para inovação. Com um desenho apropriado, elas podem gerar um significativo impacto no crescimento da produtividade.

Eis aí uma lição (vinda de um “antigo inimigo” do país) que deveria ser bem acolhida pelas nossas autoridades, ao contrário de só estarmos ouvindo a já batida ladainha das restrições orçamentárias, dos cortes de gastos, e da explosão da dívida pública. 

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre políticas fiscais para crescimento econômico, fique a vontade para nos contatar!

 

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