Spotify vai à Bolsa

05 18Spotify, uma das mais criativas plataformas online de streaming de música, e que disponibiliza milhões de músicas instantaneamente, acaba de preencher os dados para vender suas ações na Bolsa de Valores de Nova York. De acordo com recente matéria do jornal New York Times, isso é um sinal da maturidade do mercado de streaming, que começou a reviver a fortemente abalada (pelas novas tecnologias digitais) indústria da música.

Ao contrário de um tradicional IPO (Initial Public Offering) de ações, a empresa vai perseguir uma listagem direta de suas ações, um processo não usual em que nenhuma nova ação é disponibilizada – e, portanto, nenhum dinheiro é levantado. No entanto, os atuais investidores e insiders podem comercializar suas ações no mercado aberto.

Para a indústria da música, Spotify – e o modelo de streaming que ela tem liderado – tem sido um poderoso engenho. Depois de mais de uma década de declínio, o mercado global de música começou a dar a volta por cima em 2015, justamente quando streaming começou a se estabelecer.

No final de 2017 a plataforma teve quase US$ 5 bilhões em receitas, e tinha 159 milhões de usuários ativos, incluindo 71 milhões que pagam por assinaturas. Mas, mesmo tendo crescido muito desde sua fundação em 2008, as perdas também foram grandes. No ano passado, a plataforma teve um prejuízo líquido de US$ 1,5 bilhão. Suas maiores despesas, de longe, são os custos de licenças de companhias de discos e music publishers.

Os dados que Spotify preencheu para a Bolsa também traduzem seu sucesso e seu valor para a indústria da música. No final do ano passado ela já tinha pago mais de US$ 10 bilhões em royalties de música desde seu início, e sua “churn” – medida de quanto usuários pagantes cancelam cada mês – tem declinado paulatinamente de 7,7% em 2015 para 5,5% em 2017.

Mas o que mais nos interessa destacar aqui nesta newsletter é a cultura organizacional da Spotify. A plataforma tem liderado no mundo uma nova cultura de engenharia organizacional que tem atraído a atenção de alguns especialistas. De acordo com o documento intitulado “Scaling Agile @ Spotify with Tribes, Squadas, Chapters & Guilds”, de Henrik Kniberg & Anders Ivarsson, publicado em 2012, a plataforma se estrutura numa forma inovadora para os padrões organizacionais.

Como pode ser visto na figura 1 à frente, a cultura de engenharia da Spotify é baseada em agile principles (princípios ágeis de desenvolvimento de software). Toda a engenharia acontece em Squads (esquadrões), a unidade básica de desenvolvimento. Os squads se reportam aos POs – product owners (líderes de produtos) que priorizam o trabalho a ser feito pelo time, e um determinado conjunto de squads formam uma Tribe (Tribo). Daí surgem os Chapters (Capítulos) e os Guilds (Grêmios), que são a cola que mantém a empresa junta, permitindo algumas economias de escala sem sacrificar muito a autonomia. O capítulo é uma espécie de pequena família de pessoas que têm habilidades similares e trabalham na mesma área geral de competência, dentro da mesma tribo. O grêmio é uma comunidade de interesses mais orgânica e mais ampla, ou seja, um grupo de pessoas que querem compartilhar conhecimento, ferramentas, códigos e práticas.

Há muito mais do que falar sobre essa nova cultura de engenharia organizacional. Essa cultura tem muito a ver com a estrutura das novas arquiteturas dos artefatos/software/sistemas de informação que são produzidos pelas novas empresas de tecnologias de informação e comunicação. Essas novas arquiteturas, particularmente a arquiteturas dos Microservices (Microsserviços) e APIs – Aplication Programming Interfaces), são uma nova realidade na cultura de engenharia de software e sistemas de informação, mas este é um tema para uma nova newsletter!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a cultura de engenharia organizacional da Spotify e de empresas semelhantes, fique a vontade para nos contatar!

 

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