A Bolsa de Valores está deixando de ser uma das principais fontes do financiamento empresarial?

06 18Em janeiro deste ano os economistas Craig Doidge, Kathleen M. Kahle, G. Andrew Karolyi e René M. Stulz, publicaram um artigo no National Bureau of Economic Research nos EUA, apontando para um fato de significativa importância. Segundo eles, desde que atingiu um peak em 1997, o número de empresas listadas em bolsas nos EUA tem caído a cada ano, exceto por um.

Durante o mesmo período, empresas com ações em bolsas têm sido os compradores líquidos de US$ 3,6 trilhões (em dólares de 2015), mais do que emissores líquidos. A propensão a ser listado em bolsa está mais baixa ao longo de todos os tamanhos de grupos de empresas, mas mais ainda entre empresas com menos de 5.000 empregados. Relativamente a outros países, os EUA agora têm menos empresas listadas.

Pelo fato dos mercados terem se tornado menos atrativos para pequenas empresas, as empresas listadas existentes estão maiores e mais velhas. Sendo assim, os autores argumentam que a importância do investimento intangível cresceu, mas os mercados públicos não são adequados para companhias jovens e intensivas em P&D. Uma vez que há abundante capital disponível para tais empresas sem que elas se tornem públicas (listadas em bolsa), elas têm pouco incentivo para fazer isso até que elas atinjam um ponto nos seus ciclos de vida onde elas foquem mais em payouts (pagamentos) do que levantar capital.

A Figura 1 à frente mostra a evolução do número de empresas domiciliadas nos EUA listadas na NYSE, Amex, e Nasdaq entre 1975 até 2016. Em 1975, os EUA tinham 4.818 empresas listadas. A figura mostra que este número aumentou fortemente até 1997, quando atingiu 7.509 empresas listadas. A partir daquele ano em diante o número caiu rapidamente até 2003, e, então, a um passo mais lento. No o número de empresas listadas manteve-se cadente até 2013, quando atingiu 3.657. No final de 2016 o número de empresas listadas era 25% menos do que em 1975, e 52% menos do que o seu peak em 1997.

Os autores consideram especialmente intrigante que o número de empresas listas caiu tanto que durante o período, ao mesmo tempo em que a população dos EUA aumentou de 215 milhões em 1975 para 323 milhões em 2016. Em 1975 os EUA tinham 22,4 empresas listadas por milhão de habitantes. Em 2016 a proporção tinha caído para somente 11,2.

A Figura 1 também mostra a evolução da capitalização de mercado agregada das empresas listadas, ou a soma do valor de mercado de todas empresas listadas. Em dólares de 2015, a capitalização de mercado agregada das empresas listadas era 7,4 vezes maior em 2016 comparada a de 1975. No entanto, em contraste com a evolução do número de empresas listadas, a capitalização de mercado agregada não evolveu suavemente. Isso é especialmente verdadeiro depois de 1999. Em dólares constantes, a capitalização de mercado agregada das empresas listadas foi somente US$ 434 bilhões maior ao final de 2016 do que foi no final de 1999.

Os autores apontam que é comum olhar para a capitalização de mercado agregada de ações comparando ao PIB. Muitos estudos acadêmicos usam esta razão como uma medida de desenvolvimento financeiro. Esta razão era 38,3% em 1975. Atingiu um peak em 153,5% em 1999, caiu para 69,2% em 2008, e aumentou de volta para 124,0% em 2016. A razão em 2016 é 19% mais baixo do que era em seu peak.

As questões que nos deixam intrigados são as seguintes: o que causou essa queda no número de empresas listadas em bolsas nos EUA, e o que este fenômeno representa em termos tendenciais com relação ao financiamento empresarial? Está havendo uma substituição do financiamento empresarial nos mercados públicos pelos mercados privados? E qual a implicação disso para as pequenas e jovens empresas, particularmente as intensivamente baseadas em P&D? Essas são questões a serem tratadas proximamente!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre financiamento empresarial, fique à vontade para nos contatar!

 

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