O “paraíso” não é das startups (pelo menos nos EUA)!

15 18Já há algum tempo o editor desta newsletter vem reiterando o argumento de que, muito embora as startups sejam relevantes, a contribuição delas para a economia não tem tido o peso que muitos desejariam que tivesse. Nada contra as startups! Muito ao contrário, somos inteiramente a favor de sua existência, e estimulamos seu fomento.

Mas uma coisa é o desejo, outra é a realidade! E se depender de evidência, aquela que vem dos EUA não é tão favorável às startups (apesar do hype recente na mídia). Aqui mesmo nesta newsletter registramos o que tem sido denominado como o “paradoxo do empreendedorismo nos EUA”. Na newsletter de 16/08/2014, apontávamos que a proporção de empresas que são “jovens” (startups) nos EUA vinha caindo ao longo dos últimos trinta anos, indicando a Figura 1 abaixo.

Na newsletter de 30/11/2014 indicávamos duas potenciais causas para a diminuição do empreendedorismo nos EUA: a) as taxas de crescimento populacional começaram a declinar, e as taxas de formação de empresas também caíram; e, b) a consolidação dos negócios – uma medida da atividade econômica ocorrendo em negócios com mais de um estabelecimento (ou seja, compra ou fusão de empresas).

Mais recentemente, mais evidência tem emergido para reforçar o argumento de que o “paraíso” não é das startups (pelo menos nos EUA). Estudo publicado em abril passado no National Bureau of Economic Research – NBER dos EUA, intitulado “Big Data in Finance and The Growth of Large Firms”, desenvolvido pelas economistas Juliane Begenau, Maryam Farboodi e Laura Veldkamp, aponta para o seguinte cenário.

Uma das mais importantes tendências na moderna macroeconomia é a mudança das pequenas empresas para as grandes empresas. Ao mesmo tempo, mercados financeiros têm sido transformados pelos avanços das tecnologias da informação. O estudo ora citado explora a hipótese de que o uso de big data em mercados financeiros tem baixado o custo do capital para grandes empresas, relativamente às pequenas, capacitando as grandes empresas a crescer mais ainda.

Grandes empresas, com mais atividade econômica e uma história mais longa oferecem mais dados para processar. Quanto mais rápido processadores amassam mais dados – anúncios macro, dados de ganhos, métricas de desempenho de competidores, demanda de exportação, etc. – grandes empresas se tornam alvos mais valiosos para análise destes dados. Uma vez processados, aqueles dados podem prever melhor o valor da empresa, reduzir o risco do investimento em equity (patrimônio), e, portanto, reduzir o custo do capital da empresa. À medida que a tecnologia de big data melhora, grandes empresas atraem uma mais que proporcional fatia do processamento de dados, capacitando as grandes empresas a investirem mais barato e a crescerem mais ainda.

Segundo as autoras, uma das principais questões em macroeconomia hoje é saber por que as pequenas empresas estão sendo trocadas pelas grandes. Ao longo das últimas três décadas, o percentual de emprego nas empresas com menos de 100 empregados (um indicador do tamanho de uma startup nos EUA) caiu de 40% para 35% (Figura 2 à frente); a taxa anual de novas startups caiu de 13% para menos de 8%. Enquanto as pequenas empresas têm batalhado, grandes empresas (mais de 100 empregados) têm prosperado: a participação na força de trabalho dos EUA que elas empregam cresceu de um quarto nos anos 1980s para um terço hoje. Ao mesmo tempo, a participação nas receitas das top 5% empresas aumentou de 57% para 67% (Figura 3 à frente).

Eis aí um fenômeno intrigante, cujas respostas nas são fáceis de obter. Quando observamos os movimentos das atuais grandes plataformas online, e vemos que suas estratégias as fazem crescer ainda mais (ver a newsletter de 04/02/2018 sobre os movimentos de parcerias de Google e Tencent), somos dragados pela força da evidência de que o “paraíso” não está para as startups!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a economia das startups, não hesite em nos contatar!

 

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