O Brasil pode produzir algo para o “Carro do Futuro”?

21 18Para poder responder à questão-título desta newsletter, faz-se necessário ter em mente as seguintes questões: primeiramente, o que será o carro do futuro, e, em segundo lugar, se o país tem algo a contribuir para ele. E para responder tais questões, recorremos ao livro “The Machine that Changed the World: How Lean Production Revolutionized the Global Car Wars”, publicado em 1990 por James P. Womack, Daniel T. Jones e Daniel Roos (com uma re-edição em 2007).

No prefácio da re-edição do livro os autores afirmam que ele descreve dois sistemas de negócios fundamentalmente diferentes, e dois modos de pensamento sobre como os humanos trabalham juntos para criar valor. Um sistema é o de produção em massa, no qual a GM foi pioneira nos anos 1920s, à medida que passou a Ford para se tornar a maior empresa industrial do mundo. Esse sistema foi então amplamente copiado e usado por empresas em praticamente todas indústrias no globo – incluindo Ford e General Electric – por quase 75 anos. O outro sistema de negócio – a produção enxuta – teve a Toyota como pioneira nos vinte anos imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, e está (estava na época da re-edição do livro) rapidamente se difundindo em cada esquina do mundo. Em resumo, o livro conta a história do sistema de massa versus o enxuto e mostra porque este último é superior ao primeiro.

O livro provê a história e a descrição das produções original, de massa e enxuta do automóvel nos três primeiros capítulos, e descreve os cinco elementos de um sistema de negócio enxuto nos próximos cinco capítulos. Esses cinco elementos são o design do produto, a coordenação da cadeia de suprimentos, o tratamento com o consumidor, a produção do produto da encomenda até a entrega, e o gerenciamento da empresa combinada. A “máquina” que estava mudando o mundo (segundo os autores) é este completo sistema de negócio enxuto, cuja difusão inicial no mundo é descrita nos três capítulos finais do livro.

O argumento que pretendemos defender aqui nesta newsletter é que um novo elemento tem que ser adicionado na equação defendida no livro aqui resenhado: a emergência da indústria das tecnologias de informação e comunicação – TICs, e o seu papel inovador em todo o negócio de produção do automóvel. Dito de outra forma, as TICs, que não tiveram um papel preponderante nas produções original, de massa e enxuta do automóvel, hoje, muito ao contrário, tornaram-se um fator imperativo em todos os cinco elementos ressaltados acima pelo livro.

Para substanciar tal argumento basta observar as ações recentes de alguns dos chamados big players da indústria global de TICs, tais como Google (e o Uber), com seus testes visando a autonomia do automóvel, bem como a Intel, com a compra da Mobileye, apontada na newsletter de 14-05-2017. E não podemos esquecer de tantas outras iniciativas que paulatinamente estão se voltando para outras dimensões do futuro do carro (tais como conectividade, eletrificação e compartilhamento).

Como apontamos na newsletter de 14-05-2017, o que está acontecendo na indústria global do automóvel é que a “curva smile” dessa indústria está apontando para novos elementos de agregação de valor na cadeia de valor de produção dos automóveis. Esses novos elementos, como indicado recentemente pelo Prof. Silvio Meira (da UFPE), são, de um extremo da cadeia de valor, os componentes e sistemas para autonomia (e aqui podemos colocar tudo que pode ser associado ao uso de cloud computing para a conectividade dos carros, bem como aplicações de Internet das Coisas – IoT, por exemplo), e no outro extremo, os sistemas e redes de mobilidade (compartilhada).

O desafio que está colocado para as indústrias de TICs espalhadas pelo mundo, é o de saber quais são esses componentes e sistemas, e quais são os sistemas e redes de mobilidade que são relevantes para a indústria global de automóveis, mas que ela ainda não está atenta, os quais podem representar as oportunidades que estão abertas para ecossistemas de TICs de países como o Brasil.

Desta forma, é possível argumentar que o Brasil pode produzir sim algo para o “carro do futuro”, desde que ele (através de sua indústria de TICs) descubra quais são os ingredientes de agregação de valor que mais representem relevância para a indústria global do automóvel!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o carro do futuro, não hesite em nos conectar!

 

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