Pernambuco e o Brasil podem, e devem ter, uma ousada política internacional de P&D e Inovação!

26 18No mês de junho deste ano, os pesquisadores norte-americanos Lee G. Branstetter e Britta M. Glennon (ambos da Carnegie Mellon University), e J. Bradford (Georgetown University) publicaram no National Bureau of Economic Research – NBER um artigo intitulado “The IT Revolution and the Globalization of R&D” (A Revolução da TI e a Globalização do P&D).

Neste artigo os autores demonstram que desde os anos 1990, o P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) se tornou menos concentrado geograficamente, e tem visto rápido crescimento especialmente nos mercados emergentes. Uma das distintas características do fenômeno da globalização do P&D é sua concentração no domínio do software/TI; o crescimento no P&D estrangeiro tem sido largamente concentrado em multinacionais intensivas em software e TI, e novos destinos de P&D são também mais destinos para multinacionais de software e TI do que o P&D tradicional.

No artigo são documentados três importantes fenômenos: (1) a globalização do P&D, (2) o crescimento da importância do software e da TI para a inovação da empresa, e (3) o surgimento de novos hubs de P&D. Os autores argumentam que a escassez de capital humano relacionado a software e TI, resultante do grande viés de software e TI na inovação, guiou as multinacionais dos EUA para fora do seu território, e particularmente as guiou para os “novos hubs” com grandes quantidades de trabalhadores STEM (ou seja, de Science/Ciências, Technology/Tecnologia, Engineering/Engenharia e Mathematics/Matemática) que possuíam habilidades em software e TI.

Os achados do trabalho dão suporte à visão de que a globalização das multinacionais dos EUA tem reforçado a liderança tecnológica das empresas baseadas nos EUA no domínio da tecnologia da informação, e que a habilidade das multinacionais em acessar uma base global de talentos pode dar suporte a uma alta taxa de inovação, mesmo na presença de crescente custo de recursos humanos da fronteira do P&D.

E o que isso tem a ver com Pernambuco, e, por extensão, com o Brasil? Como apontamos nas recentes newsletters da Creativante sobre a Lei de Informática no Brasil (ver newsletters do dia 08/07/2018 e de 15/07/2018), com esta Lei o Brasil foi capaz de criar (a partir dos mecanismos de incentivos de P&D da Lei de Informática – mas não exclusivamente) diversos e relevantes ecossistemas de inovação ao redor de universidades e institutos públicos e privados de P&D inovador (tais como o Porto Digital e o CESAR/CIN em Pernambuco), que ajudaram tanto a gerar capacitação tecnológica para as empresas quanto o desenvolvimento de novas habilidades e competências para os mercados locais dentro do território nacional.

Esses ecossistemas de inovação são os “novos hubs” de que trata o artigo acima referido. Qualquer um que se disponha a visitar centros como o Centro de Informática – CIn da UFPE, ou o C.E.S.A.R. – Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, um instituto privado de inovação, poderá constatar que ali, há vários anos, são desenvolvidos tanto P&D na fronteira do conhecimento, quanto inovação comercialmente relevante a partir de multinacionais estrangeiras e de empresas nacionais.

No entanto, esses nossos “novos hubs” foram constituídos e se desenvolveram a partir de um foco “tímido” da Lei de Informática, bem como de uma participação marginal deste setor no contexto das políticas públicas de desenvolvimento do país. Como enfatizado nas newsletters acima citadas, constatou-se que o escopo da Lei foi demasiadamente estreito, uma vez que privilegiou parte das empresas do mercado global de TICs, ou seja, beneficiou preponderantemente produtores de TIC (ignorando as empresas usuárias de TICs), e, de forma mais significativa, os produtores estrangeiros. E, dentre esses, atentou mais especificamente para as empresas produtoras de hardware (em detrimento das empresas produtoras de software e serviços complementares).

Neste sentido, valendo-nos das observações dos autores do artigo aqui apontado, já está na hora do Brasil reconhecer que esses nossos “novos hubs de P&D e inovação” têm hoje um papel estratégico relevante nas cadeias globais de valor, e que o país pode ser tanto um agregador quanto capturador de valor associado a essas cadeias globais, que são hoje vorazes demandantes de P&D e inovação. Mas para isso precisamos de políticas internacionais ousadas de P&D e inovação, algo que, mais cedo ou mais tarde, deverá ser considerado nas agendas políticas dos nossos representantes!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre globalização de P&D e inovação, não hesite em nos contatar!

 

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