Recife: A Global City (Uma Cidade Global)?

30 18O que o futuro reserva para a cidade do Recife? Ou, dito de outra forma, o que estamos pensando sobre o futuro do Recife? Existe “um futuro” reservado ao Recife, ou nós devemos construir este futuro?

Estas são questões que deveriam estar na ordem do dia nos debates atuais dos seus cidadãos, mas, aparentemente, não estão na necessária medida. E há um imperativo para isso. O Estatuto da Cidade, de 2001, forçou a discussão sobre as cidades. O Plano Diretor do Recife, feito em 2008, está sendo revisado. Há alguns trabalhos sendo feitos (1 e 2), e há também uma iniciativa específica para este fim. Com a criação da Agência Recife para Inovação e Estratégia – ARIES, e numa parceria entre a Prefeitura do Recife e o Porto Digital, foi criado, em 2012, o Projeto Recife 500 anos, voltado para pensar o futuro do Recife com um marco temporal de 12 de março de 2037, data em que Recife completa 500 anos.

Pelo que podemos inferir dos trabalhos até então realizados nesta iniciativa, tem havido um grande esforço para definir uma estratégia voltada para o futuro da cidade. Mas qual é a Visão que tem moldado esta estratégia? No espírito de contribuir para o debate, gostaríamos de apontar um vídeo em particular, intitulado “Global Cities: The Rise of Urban Networks” (Cidade Globais: A Emergência das Redes Urbanas), preparado pelo Complexity Labs, uma organização que trabalha com a questão da complexidade, e que pode ser visto neste link: https://www.youtube.com/watch?v=Ncq8eccy-bY.

Este vídeo explora a mutante paisagem de transformações recentes no nosso planeta, tendo as cidades como os centros da civilização, argumentando que nosso futuro está destinado a ser urbano, na medida em que a grande maioria de nossa população global está vivendo crescentemente nas cidades (o que cria novas oportunidades e desafios), e aponta para o desenvolvimento das redes urbanas como a emergente geografia de conectividade em uma era de globalização.

Além de uma introdução fascinante (com uma música igualmente atrativa como background), o vídeo está sub-dividido em mais cinco partes: Parte 2: Global Cities: Historical Context (Cidades Globais: Contexto Histórico); Parte 3: Global Cities: Globalization (Cidade Globais: Globalização); Parte 4: Territory & Governance: Global Cities (Território e Governança: Cidades Globais); Parte 5: A Changing Environment: Global Cities (Um Ambiente Mutante: Cidades Globais); e, Parte 6: Economic Development: Global Cities (Desenvolvimento Econômico: Cidades Globais).

O grande argumento defendido pelo vídeo é o seguinte. A economia global tem se transformado em sua natureza, de uma economia antes dominada pela agricultura e indústria, para se tornar predominantemente baseada em serviços e informação. Como uma consequência, sociedades e economias no mundo estão sendo transformadas de primariamente organizadas em torno de processos físicos agrícolas e industriais no interior de territórios nacionais, para se moverem para a entrega de serviços de processamento de informação e conhecimento que não são mais definidos por suas fisicalidades e lógicas de territorialidade, mas, ao invés, são baseados na lógica do ACESSO e da CONECTIVIDADE.

À medida que as economias mudam de industriais para economias de serviços pós-industriais, um “novo papel estratégico” é dado às CIDADES, à medida que elas se tornam o lócus de serviços de alto valor adicionado de inovação e criação de conhecimento.

Com a globalização e a urbanização, nós estamos no processo de criação de uma “nova geografia”. Uma geografia baseada em torno de uma conectividade funcional, ao invés de históricas fronteiras físicas (onde a construção de estados-nação e suas fronteiras foi cultural e ideológica por natureza), estas novas redes globais são funcionais por natureza.

As conexões são feitas horizontalmente para facilitar trocas em um mundo onde a lógica do mercado e da tecnologia têm sido combinadas para criar um poderoso engenho de guiar o mundo para frente, seja para melhor ou pior. Nesse contexto, os centros urbanos funcionam como “hubs”, e no nível global eles se tornam “nós” no interior de “redes globais de cidades” que provêm a massa crítica de serviços avançados requeridos para operarem a economia global no seu presente nível de funcionalidade.

Os líderes desta conectividade são o que o vídeo chama de Global Cities (Cidades Globais). Estas cidades devem também se diferenciar no seio dessas redes maiores, e crescentemente competirem com outras cidades. Ou seja, ser uma cidade global não é uma questão de tamanho ou escala econômica. É uma questão de desempenhar uma função diferenciadora no seio de uma rede global de trocas, e, então, torná-la uma localização estratégica no interior de uma cadeia de valor global.

Em resumo, tendo o argumento deste vídeo como premissa central para pensar o Futuro do Recife, ou de outras cidades no Brasil, o que tornaria o Recife uma cidade diferenciada do ponto de vista de uma rede conectada de cidades globais? Ou seja, Recife pode vir a ser uma Global City?

Nós da Creativante defendemos que uma Visão para o “Futuro do Recife” é a de que ela pode ser uma Global City. Mas ela só poderá ser essa “Global City” se ela se diferenciar das demais (pelo menos no conjunto das cidades brasileiras), e através de marcos diferenciadores que sejam amplamente aceitos, tanto pelos seus cidadãos quanto pelos demais cidadãos que compõem a rede global de cidades que comentamos nesta newsletter.

Cremos, finalmente, que nós temos um grande alicerce para argumentarmos em favor deste status de Global City para seu futuro (seja ele em 2037, ou em qualquer horizonte temporal): e este alicerce é o Ecossistema Empreendedor das TICs de Pernambuco (comentado nas últimas newsletters aqui publicadas). Resta saber se os cidadãos de Recife pensam da mesma forma!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre Global Cities, não hesite em nos contatar!

  1. http://planodiretordorecife.com.br/wp-content/uploads/2018/08/180820_Diagn%C3%B3stico-Propositivo-POT-Recife-Preliminar-FINAL.pdf
  2. http://planodiretordorecife.com.br/wp-content/uploads/2018/08/Matrizes-de-Integra%C3%A7%C3%A3o-do-Diagn%C3%B3stico-Propositivo-Vers%C3%A3o-Preliminar-1.pdf

 

 

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