As Três Revoluções que a Economia Precisa

03 19A Economia, ciência tradicionalmente reconhecida como aquela que estuda a alocação de recursos escassos para a satisfação de desejos infinitos da sociedade (*), vem sendo intensamente debatida pelos profissionais que nela atuam sobre o seu papel no mundo contemporâneo. Como este não é um espaço acadêmico, gostaríamos apenas de colocar mais uma contribuição recente, e que remete ao impacto das modernas tecnologias e inovações.

O Professor Edmund S. Phelps, Prêmio Nobel de Economia de 2006, e Diretor do Center on Capitalism and Society da Columbia University, nos EUA, escreveu recentemente um pequeno artigo no site do Project Syndicate, com o título desta newsletter. Segundo ele, a profissão necessita passar por três revoluções que ainda resiste.

Tentando simplificar a questão, a primeira revolução diz respeito ao contínuo negligenciamento da noção de “conhecimento imperfeito”. Segundo o Prof. Phelps, apesar já há alguns anos sabermos que não há base – e nem deveria haver – para os modelos econômicos que tratam os tomadores de decisões como tendo os “modelos corretos” com os quais se tomam decisões, as noções de incerteza (de futuro incerto) e de ausência de coordenação ainda não foram normalmente incorporadas aos nossos modelos econômicos. Ou seja, o conhecimento ainda é considerado nos modelos como sendo perfeito, ou pleno; e aí, argumenta o Prof. Phelps, a Revolução da Incerteza ainda não teve sucesso!

A segunda revolução é o ainda negligenciamento da noção de “informação imperfeita”. E o Prof. Phelps nos aponta que “deficiência de informação” não é “assimetria de informação”. O exemplo que ele nos traz é a superestimação, pelos trabalhadores, dos salários fora de suas cidades, ocasionando salários inflacionados, e, então, alto desemprego anormal; por outro lado, a subestimação ocasiona níveis de barganha de pagamentos, e, então, baixo desemprego anormal. Como resultado, a Revolução da Informação ainda não foi absorvida.

O último grande desafio, de acordo com o Prof. Phelps, é a total omissão na teoria econômica da noção de “dinamismo econômico”. Segundo ele, enquanto economistas passaram a reconhecer que o “Ocidente” sofreu uma massiva desaceleração, a maioria não oferece nenhuma explicação para isso. Outros, usando a tese inicial de Joseph Schumpeter sobre inovação (em seu clássico livro de 1911, The Theory of Economic Development) (tese essa baseada na premissa de que a massa da população na economia não tinha inventividade), inferem que a enxurrada de descobertas pelos cientistas e exploradores encolheu para apenas um “gotejamento” nos últimos tempos.

Para o Prof. Phelps, o “Ocidente”, de fato, “começou” quando as ideias e os valores que reconheciam que toda a humanidade possuía criatividade ganharam massa crítica. Tais valores produziram inovação indígena através da força de trabalho. O fenômeno da inovação de base através, virtualmente, de todas as pessoas trabalhando em todos os tipos de indústrias só foi percebido por alguns autores.

O que o Prof. Phelps aponta é que não está claro que a tese Schumpeteriana (lembrada sempre pelo conceito de “destruição criativa”, ou de “criação destrutiva”) foi incorporada na teoria econômica. Nem mesmo no modelo inovador de crescimento econômico do Prof. Robert Solow (do MIT) a ideia das pessoas – mesmo o cidadão comum trabalhando em todas indústrias – possuírem imaginação para conceber novos bens e novos métodos foi considerada.

Com a grande desaceleração e com o declínio da satisfação nos empregos, no entanto, parece que agora há uma chance de introduzir dinamismo na modelagem econômica. E fazer isso é imperativo, argumenta o Prof. Phelps. A importância de entender as novas economias estagnadas tem despertado um esforço para incorporar imaginação e criatividade nos modelos macroeconômicos. Segundo ele, nós não podemos entender os sintomas observados nas nações do ocidente até que nós tenhamos formulado e testado hipóteses explicitas sobre fontes, ou origens, de dinamismo.

Finalmente, afirma o Prof. Phelps, este avanço teórico nos dará esperança de explicar não somente o baixo crescimento da produtividade total dos fatores, mas também o declínio na satisfação no emprego. A América não pode ser a América novamente, a França não pode ser a França novamente, e a Grã Bretanha não pode ser a Grã Bretanha novamente até que seus povos estejam uma vez mais engajados em pensar melhores meios para fazer coisas, e mais excitados em embarcar em suas viagens ao desconhecido.

O dinamismo que falta aos modelos dos economistas, abunda nos novos modelos de negócios proporcionados pelo avanço das tecnologias e inovações da Era Digital. Exemplo representativo disso é a estrutura de dynamic pricing (precificação dinâmica) do Uber. Graças à existência do Big Data, algoritmos têm sido usados para tornar dados em decisões de precificação baseados em torno de objetivos estabelecidos, como este do Uber, visando maximização de receitas.

A nova fronteira nesta área é a de Inteligência Artificial. Nas finanças pessoais, por exemplo, os chamados “robôs advisors” estão se tornando cada vez mais populares por gerarem soluções de carteiras de investimentos com uma experiência simples e agradável para os investidores. De acordo com Marcelo Nantes (do Bradesco Asset Management), sua organização desenvolveu uma nova abordagem dinâmica para otimização de alocação de ativos em um portfólio. Neste processo, incorporou-se a incerteza aos retornos esperados, o que proporciona maior equilíbrio nas distribuições dos ativos do portfólio final implementado.

Em resumo => “Economistas de todo o mundo; uni-vos em torno da introdução de dinamismo nos modelos econômicos”!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a introdução de dinamismo em modelos econômicos, não hesite em nos contatar!

(*) O editor desta newsletter, como Professor de Economia, vem tentando há alguns anos adaptar, na sua prática, esta noção da Economia ao contexto mais atual de profusão dos recursos intangíveis, que além de não serem escassos, cada vez mais agregam uma complexidade à análise econômica que precisa ser entendida por todos!

 

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