Tamanho da Empresa e Inovação no Setor de Serviços

18 19Vivemos em tempos do fenômeno da desindustrialização das economias nacionais. No caso brasileiro, a atual participação da indústria no PIB do país é inferior àquela do início do processo de industrialização experimentado no século 20. No entanto, o “saudosismo” da pujança industrial que o país vivenciou, marcadamente entre os anos 1940 e 1980, inibe a percepção de profissionais e de policy makers de que “há vida econômica na era pós-industrial”.

A ainda dominante crença no poder alavancador da indústria é alicerçada num ainda prevalente mindset: de que ela é determinante para o processo de inovação da economia e para os ganhos em produtividade, lucratividade e bem estar. Uma literatura robusta confirma que o tamanho da empresa é um fator significativo para a decisão de investir em P&D, e para subsequentes produtos inovadores. E ainda, a pesquisa existente em como investimentos em P&D afetam o desempenho inovador e, em última instância, a produtividade da empresa, majoritariamente se concentra no setor da indústria manufatureira, ou não se diferencia entre setores.

A pesquisa empírica nas atividades inovadoras de empresas no setor de Serviços, todavia, somente recentemente começou a emergir. Dada a mudança em direção aos serviços nas economias altamente desenvolvidas, como refletido por taxas mais altas em startups, é crescentemente importante entender melhor se, e se sim, como empresas em knowledge intensive services (KIS) (serviços intensivos em conhecimento) estão aptas a se engajarem em, e se beneficiarem de, atividades inovadoras, à medida em que tais empresas têm o mais amplo potencial de inovação no muito heterogêneo setor de serviços.

Há não somente similaridades, mas também diferenças entre empresas nas KIS-industries e na indústria manufatureira que podem afetar os processos inovadores, tais como diferentes requisitos de capital para iniciar um negócio, diferentes requisitos de trabalho e qualificação, a localização física da produção, e a tangibilidade do produto. Isto influencia o tamanho mínimo específico eficiente da empresa da indústria. Consequentemente, enquanto no setor da indústria manufatureira a maioria dos indivíduos é empregada em grandes empresas, o oposto é verdade para o setor de KIS.

Logo, óbvias questões emergem. Dado que uma forte e positiva relação entre tamanho da empresa e a probabilidade de se engajar em atividades de inovação são consistentemente encontrados na manufatura, a grande participação de micro empresas no setor de KIS significa que a maioria dessas empresas se abstém de inovar?

Portanto, uma pesquisa recente, intitulada “Firm Size and Innovation in the Service Sector”, desenvolvida por David B. Audretsch, Marian Hafenstein, Alexander S. Kritikos, e Alexander Schiersch, do Center for Economic Policy Analysis, de Maio deste ano, enfrentou as seguintes três questões de pesquisa: Primeiramente, até que extensão as empresas que ofertam KIS conduzem atividades de P&D de forma a se tornarem mais inovadoras. Segundo, se o elo entre insumo de inovação, produto inovador, e produtividade funciona nesta parcela do setor de serviços de forma similar ao setor manufatureiro. Devido à pobreza de estudos robustos investigando se pequenas empresas impõem uma carga em termos de potenciais níveis de limite de sucesso de investimentos de P&D, a terceira questão é até que extensão o tamanho da empresa importa no setor de serviços com respeito à decisão para investir em novo conhecimento?

Combinando dois modelos estabelecidos na literatura, e utilizando um painel de dados de empresas alemães, o trabalho permitiu estabelecer uma interpretação causal da relação entre produto inovador e produtividade do trabalho. Os autores observaram que empresas intensivas em conhecimento de todos os tamanhos estão aptas para transformar insumo de inovação em produtos de inovação. Ademais, mostraram que este conhecimento produzido de forma inovadora causa aumento na produtividade do trabalho, e ambos achados se sustentam tanto para empresas KIS, de forma similar ao setor manufatureiro. No entanto, o tamanho da empresa é disparatado entre os setores da indústria: enquanto empresas de tamanhos maiores doam vantagens para inovação e produtividade na manufatura, os achados da pesquisa sugerem que empresas menores no setor de KIS são menos prejudicadas por sua inerente desvantagem de tamanho.

Em resumo, a crença de que o setor industrial é importante porque só ele potencializa inovação, e ganhos de produtividade, é nada mais nada menos do que isso: uma crença! Os knowledge intensive services (KIS) (serviços intensivos em conhecimento), tais como os da indústria de produtos e serviços de tecnologias de informação, comunicação e controle – TICCs, estão aí para mostrar que “existe vida econômica na era pós-industrial”.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre knowledge intensive services (KIS), não hesite em nos contatar!

 

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