A Não-Rivalidade dos Dados e a Economia dos Dados

34 19Nas últimas newsletters focamos nossa atenção para dados. Nesta newsletter damos atenção especial a um recente, e importante, trabalho dos economistas Charles I. Jones e Christopher Tonetti, intitulado “Nonrivalry and The Economics of Data”, publicado neste mês de setembro no National Bureau of Economic Research - NBER dos EUA.

Os autores começam o trabalho observando que em anos recentes a importância dos dados na economia tem se tornado crescentemente aparente. Computadores mais poderosos, o crescimento das redes, e avanços tais como machine learning têm levado a uma explosão na usabilidade dos dados. Exemplos incluem os carros autônomos, traduções de línguas em tempo real, diagnósticos médicos, recomendações de produtos, e redes sociais.

O trabalho dos autores desenvolve um framework teórico para estudar a Economia dos Dados. Eles estão particularmente interessados em como diferentes direitos de propriedade de dados determinam seus usos na economia, e, então, afetam o produto, a privacidade e o bem estar do consumidor. O ponto de partida da análise é a observação de que dado é não-rival. Isto é, no nível tecnológico, dados são infinitamente usáveis. A maioria dos bens em economia é rival: se uma pessoa consome um quilo de arroz ou uma hora de tempo de um contador, algum recurso com custo de oportunidade positivo é usado. Em contraste, dados existentes podem ser usados por um número de empresas ou pessoas simultaneamente, sem serem diminuídos. Considere uma coleção de um milhão de imagens rotuladas, o genoma humano, os Censos do IBGE, ou os dados gerados por 10.000 carros rodando 10.000 milhas. Qualquer número de empresas, pessoas, ou algoritmos de machine learning pode usar esses dados simultaneamente sem reduzir a quantidade de dados disponíveis para qualquer outro.

Um achado chave deste trabalho é o de que políticas relacionadas a dados têm importante consequências econômicas. Quando empresas possuem dados, elas podem não respeitar a privacidade dos consumidores. Mas a não-rivalidade leva a outras consequências que são menos óbvias. Pelo fato dos dados serem não-rivais, há potencialmente enormes ganhos para os dados serem usados amplamente. Mercados de dados ofertam incentivos financeiros para promover uso mais amplo, mas se vender dados aumenta a taxa de destruição criativa, as empresas podem “entesourar” dados de formas que são socialmente ineficientes.

Uma analogia que os autores fazem é a seguinte. Pelo fato do capital ser rival, cada empresa deve ter seu próprio prédio (ou escritório), cada trabalhador necessita sua própria mesa e computador, e cada armazém necessita de sua coleção de empilhadeiras. Mas se o capital for não-rival, seria como se cada trabalhador autônomo na economia pudesse usar o estoque inteiro do capital de uma indústria ao mesmo tempo. Claramente isso produziria tremendos ganhos econômicos. Isto é o que é possível com os dados. Obviamente haverá razões de incentivos pelas quais é ineficiente ter todos os dados usados por todas as empresas. Mas o equilíbrio em que empresas possuem próprios dados e limitam seu uso por outras empresas deve ser também ineficiente. OS exemplos numéricos dos autores sugerem que esses custos podem ser grandes.

Uma outra alocação que os autores consideram é uma em que um governo – talvez preocupado com privacidade – limite fortemente o uso de dados de consumidores por empresas. Enquanto esta política possa ter sucesso em gerar ganhos de privacidade, ela pode potencialmente ter um custo bem maior por conta da ineficiência que emerge de um insumo não-rival não ser usado na sua escala apropriada.

Finalmente, os autores consideram um arranjo institucional em que consumidores possuem os dados associados com seus comportamentos. Os consumidores então balanceiam suas preocupações com privacidade contra os ganhos econômicos que vêm da venda de dados para todos os terceiros interessados. Este equilíbrio resulta em dados sendo usados amplamente entre empresas, levando vantagem da não-rivalidade dos dados. Para um amplo leque de parâmetros de valor nos exemplos numéricos dos autores, esta alocação gera consumo e bem estar que são próximos da condição ótima.

Cabe-nos aqui apontar que tais estudos sobre dados estão apenas começando a ganhar a atenção dos economistas, e muita coisa ainda necessita ser tratada para que tenhamos um verdadeiro novo capítulo na Economia dos Dados. De qualquer forma, o fato dos dados “serem o novo petróleo” está mudando a nossa foram de pensar o mundo!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a Economia dos Dados, não hesite em nos contatar!

 

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