Apple está sinalizando um “novo rumo” para a indústria global de TI?

12 20Na semana que passou ocorreu a Apple WWDC 2020 – Apple Worldwide Developers Conference 2020. Boa parte do planeta aguardou as novidades da empresa que revolucionou as comunicações com o seu iPhone. À parte das novidades cosméticas que agradam os “fãs” da empresa, alguns analistas de plantão observaram um movimento de destaque. E para poder tratá-lo, precisamos recorrer à história.

A Apple construiu seu império de gadgets ao terceirizar a sua produção para um vasto ecossistema de fabricantes de chips e outros componentes especializados. Segundo matéria do Wall Street Journal, sob a liderança do seu atual CEO, Tim Cook, a empresa está trazendo muitos desses negócios de volta.

O desenvolvimento histórico da Apple obedeceu a um movimento mais amplo. Fabricantes de computadores (OEMs - Original Equipment Manufacturers) terceirizaram (outsourced) suas responsabilidades de design de componentes e de produção para fornecedores. O outsourcing levou a um vertical unbundling (desmembramento vertical) ao criar um conjunto de componentes modulares e de acesso aberto. Tal desmembramento minou o papel dos OEMs de serem integradores de sistemas, à medida que os fornecedores puderam padronizar os componentes através dos OEMs (ver Figura 1 à frente).

Os OEMs não puderam reverter a tendência, já que perderam expertise nos limites das fronteiras de suas empresas, também devido ao encurtamento dos ciclos de produto da indústria. Nesse processo, emergiu o potencial manufatureiro da Ásia (e particularmente a China) em cumprir a função de fornecedor de componentes para empresas como a Apple.

Hoje estamos vivenciando aquilo que Steve Blank chamou de “Chip Wars”. Segundo ele, controlar a manufatura de chips no século 21 pode se provar ser como foi controlar o suprimento de petróleo no século 20. O país que controlar esta manufatura pode acelerar o poder militar e econômico de outros. Os EUA recentemente fizeram isso com a China ao limitarem a habilidade da Huawei em terceirizar sua “in-house chip designs por manufatura” pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), uma fundição de chip Taiwanesa.

Uma década atrás, a China reconheceu que seu sucesso inicial como a “fábrica de baixo custo do mundo” iria perder seu curso. À medida que os seus custos de mão de obra aumentaram, outros países como Vietnã puderam preencher esse papel. Como resultado, a China precisou construir mais avançados e sofisticados produtos para parear com os EUA.

No entanto, aponta Steve Blank, a maioria destes produtos requer chips customizados – e a China carece desta capacidade de manufaturá-los domesticamente. A China usa 61% dos chips mundiais em produtos dos seus mercados doméstico e de exportação, importando algo como US$ 310 bilhões em valor em 2018 (ver Figura 2 à frente). A China reconheceu que sua inabilidade para manufaturar os mais avançados chips era seu calcanhar de Aquiles estratégico.

É neste contexto (de Chip Wars) que pode estar se desenrolando a nova estratégia da Apple de ser a “Newest Chip Giant in Town” (“a nova gigante de chip na cidade”). A empresa, que liberou seu primeiro processador para o iPhone em 2010, informou na semana passada que planeja lançar seus Macs este ano com chips customizados, um movimento que encerra uma parceria tecnológica de 15 anos com a Intel Corp.

O plano se enquadra numa estratégia mais ampla da Apple de substituir muitas partes antes terceirizadas com componentes desenhados “in house”. A empresa produz agora 42% dos componentes centrais do iPhone, um crescimento do patamar de 8% menos de cinco anos atrás, e o total é esperado crescer ainda mais à medida que ela desenvolve modem chips e sensores no futuro.

Vamos aguardar mais informações de outras empresas gigantes da indústria de TI para ver se este movimento da Apple é um “novo rumo” desta indústria global! De qualquer forma, este contexto de “chip wars” pode se desdobrar num outro, igualmente perigoso, que é o das “supply chain wars”, mas isso é assunto para uma outra oportunidade!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre novos rumos da indústria global de TI, não hesite em nos contatar!

 

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