Telecoms: os grandes perdedores com a compra do WhatsApp pelo Facebook!

04 14Na semana passada o mundo foi informado que o Facebook estaria comprando a empresa criadora do aplicativo WhatsApp por US$ 19 bilhões. Mark Zuckerberg, criador do Facebook, anunciou que o time inteiro do WhatsApp vai se juntar à sua equipe, e afirmou em comunicado:

“WhatsApp irá complementar nossos serviços de chat e de messaging para ofertar novas ferramentas para nossa comunidade. O Facebook Messenger é amplamente utilizado para chatting (conversações) com nossos amigos do Facebook, e WhatsApp para comunicar com todos os seus contatos e pequenos grupos de pessoas. Uma vez que WhatsApp e Messenger servem tais diferentes e importantes usos, nós continuaremos a investir em ambos e os tornaremos grandes produtos para todos”.

De acordo com Avtar Ram Singh, do SocialMedia Today, com mais de 450 milhões de pessoas usando WhatsApp todo mês, e 70% deles ativos a cada dia, WhatsApp tem umas das mais ativas bases no mundo. O volume de mensagens no WhatsApp está rapidamente se aproximando do volume global das mensagens SMS das telecoms. Os usuários do WhatsApp compartilham 400 milhões de fotos e 10 bilhões de mensagens por dia. Como a Figura 1 à frente ilustra, WhatsApp cresceu, num horizonte de quatro anos, mais do que Facebook, Gmail, Skype e Twitter, nomes que são muito maiores que WhatsApp até semana passada.

Não faltaram opiniões no mundo inteiro (na mídia e entre especialistas) comentando sobre as possíveis razões da decisão de Zuckerberg de comprar o WhatsApp. Afinal ele mesmo declarou que a ferramenta do WhatsApp é incrivelmente valiosa (já que estará conectando brevemente em torno de um bilhão de pessoas).

O fato da compra do WhatsApp pelo Facebook tem afinidade com uma outra compra recentemente anunciada: a compra da Time Warner Cable pela Comcast por US$ 45,2 bilhões. Estas duas empresas são as duas maiores provedoras de serviços de TV a cabo e de internet dos Estados Unidos. Esta fusão cria uma gigante que controlará um terço do mercado de vídeo sob assinatura americano e 35,9% do mercado dos assinantes de banda larga.

As afinidades nestas duas compras podem ser percebidas quando se analisa o mercado de OTTs- aplicações Over The Top - ou seja, aplicações que usam conteúdo sobre as infraestruturas das telecoms, que comentamos na newsletter de 03-11-2013. Ao descrevermos o que seriam estas aplicações, apontávamos naquela newsletter que:

Segundo Rimma Perelmuter, Diretora Executiva da MEF (associação internacional comercial de empresas que querem monetizar seus produtos e serviços via plataformas móveis), utilizando dados da OVUM, as operadoras de telecom vão perder algo como US$ 54 bi em receitas de SMS em 2016 devido à crescente popularidade de social messaging, mais do dobro do que os US$ 23 bi que elas esperam ter perdido no final de 2012. Este declínio mostra uma clara correlação com o surgimento dos serviços OTT que contornam as redes das operadoras ao oferecerem serviços gratuitos de comunicação como SMS e chamadas de voz via uma permissão de transmissão de dados móvel, ou por uma conexão WiFi.”

Ainda como desdobramento da descrição, apontávamos o seguinte:

“Como afirma a Sra. Perelmuter, “como usuários nós estamos habituados a serviços não-de-operadoras como os do Google, Skype e Facebook, mas a ameaça não vêm destes provedores gigantes de OTT. Pequenos players, baseados em aplicações, tais como WhatsApp, Viber, Vopium e Nimbuzz estão entrando o mercado e cavando um nicho de negócios de sucesso. A empresa analista do mercado mobile mobileSQUARED, por exemplo, estima que há 75 milhões de usuários WhatsApp globalmente, e isto está projetado a aumentar para 250 milhões em 2016. No presente, usuários WhatsApp estão enviando 2 bilhões de mensagens por dia, o que equivale a 27 mensagens por usuário por dia, e processaram um total de 18 bilhões de mensagens na véspera do ano ano (2012/2013)”.

Finalmente, assinalávamos que havia algo mais interessante sobre as OTTs:

“Mas o que mais chama a atenção para as oportunidades nas chamadas aplicações OTT, são aquelas aplicações envolvendo a TV conectada. Enquanto o consumo de vídeo online tem se tornado uma atividade crescentemente mainstream, o uso da TV conectada para acessar serviços de TV entregues pela internet, e outras aplicações, está ganhando espaço. Grandes nomes nesta área de provedores OTT VoD (video-on-demand) são Google (através do Google Play), Hulu, e Netflix, têm serviços e marcas suficientes para induzir significativos números de consumidores para o mercado VoD (sem falar em nomes como Apple, Xbox Live e Sony).”

Em resumo, as compras do WhatsApp pelo Facebook e da Time Warner Cable pela Comcast revelam que a indústria das telecoms está em sérios apuros, já que as receitas das aplicações OTTs estão transformando as telecoms em meros “tubos”! Certamente estas últimas não ficarão acomodadas, mas já passou da hora delas mostrarem um novo modelo de negócios!

Se você deseja saber mais sobre o que está por trás destas compras gigantescas na indústria da Internet, fique a vontade para nos contatar!

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