Regras de Decisão (Parte 2)

18 20Vimos na newsletter da semana passada que nós tomamos decisões em uma diversidade de situações, e que os indivíduos, interagindo dentro de situações estruturadas por regras (que levam à emergência, ou confirmação de instituições), enfrentam escolhas que dizem respeito a ações e estratégias pelas quais eles optam, levando a consequências para eles e para outros.

Para estudar tais situações, a Profa. Elinor Ostrom tomou como foco de análise a “arena da ação”, mostrada na Figura 1 à frente. Como pode ser visto, na arena de ação os participantes e a situação da ação interagem à medida que eles são afetados por variáveis exógenas, e produzem resultados que, por seu turno, afetam os participantes e a situação da ação.

Mas olhando para essa arena da ação da figura, quais são as variáveis exógenas que afetam a estrutura da arena da ação? Segundo a Profa. Ostrom existem três clusters de variáveis: (1) as regras usadas pelos participantes para dar ordem aos seus relacionamentos; (2) os atributos do mundo biofísico sobre os quais tais arenas atuam; (3) a estrutura da comunidade mais geral, no seio da qual cada arena particular acontece.

Ou seja, regras, o mundo biofísico e material, e a natureza da comunidade, todos afetam conjuntamente os tipos de ações que os indivíduos podem tomar, os benefícios e custos dessas ações e seus potenciais resultados, e os prováveis resultados alcançados (ver Figura 2 à frente).

Deste modo, e no que mais nos interessa, vamos ao que a Profa. Ostrom trata como as regras. O conceito de regras é central à análise das instituições. O termo regras, no entanto, é usado pelos scholars para referir a muitos conceitos com diferentes significados. Existe o tratamento filosófico. Max Black, citado pela Profa. Ostrom, identificou quatro diferentes usos do termo em conversações diárias. Ela (regra) denota regulações, instruções, preceitos e princípios.

Quando usado no senso de regulação, regras se referem a algo “definido por uma autoridade” (uma legislatura, um magistrado, um conselho de diretores, um reitor de universidade, um parente) como requerido de certas pessoas (ou alternativamente, proibido ou permitido).

Quando o termo é usado para denotar uma instrução, ele está próximo (em termos de significado) de uma estratégia efetiva para como resolver um problema. Quando regra denota um preceito, o termo é usado como um máximo para comportamento moral ou prudencial. O quarto senso em que o termo regra é usado em linguagem cotidiana é para descrever uma lei ou princípio.

Os cientistas sociais empregam todos os quatro usos do termo acima identificados. Os scholars engajados em análise institucional usam o termo para denotar regulação. Para a Profa. Ostrom, regras podem ser pensadas como o conjunto de instruções para criar uma situação de ação em um ambiente particular.

Ou seja, regras, no senso instrucional, podem ser pensadas como estratégias adotadas pelos participantes no seio de situações em andamento. A Profa. Ostrom consistentemente usa o termo estratégia, mais que regra, como planos de ação individuais. Regras no senso de preceito são parte da geralmente aceita fábrica moral de uma comunidade. Ela se refere a essas prescrições culturais como normas. Regras, no senso de princípio, são leis físicas.

Em resumo, mesmo que não atentemos para isso a todo momento, regras (de múltipla natureza) moldam as estruturas de ação (instituições) que levam às nossas decisões, decisões essas que são tomadas em um diverso contexto de situações. A questão que ainda precisamos entender é se as atuais instituições (e as regras que as conformam) são as mais adequadas para tomarmos as decisões necessárias e suficientes para a obtenção dos resultados que almejamos.

Aqui na Creativante nós partimos do pressuposto que algumas de nossas atuais instituições precisam ser renovadas, e outras precisam ser criadas para que tenhamos novas situações de ação, que nos permitam tomar novas decisões para o enfrentamento dos novos problemas da humanidade (mudanças climáticas, exaustão de recursos, pandemias, etc.)!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre regras de decisão, não hesite em nos contatar!

 

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