O campo de batalha é o da distribuição: os casos de empresas tecnológicas do varejo comercial e iniciativas de inovações em meios de pagamentos

20 20Nos últimos tempos temos ouvido e lido muito a respeito de iniciativas de empresas como a Amazon, Alibaba, Facebook/WhatsApp, Magazine Luiza, Via Varejo, B2W, Stone, Totvs, Linx, bem como de iniciativas públicas, tais como PIX, Open Banking, Sandbox, e por aí vai.

O que essas iniciativas têm em comum? Vamos argumentar brevemente nesta newsletter que o que unifica o entendimento das razões subjacentes a essas iniciativas é o potencial econômico das novas formas de distribuição de bens (físicos e financeiros) e serviços à sociedade. Ou seja, o campo de batalha é o da distribuição de bens e serviços!

E para subsidiarmos este argumento, vamos recorrer a uma newsletter que publicamos em 14/05/2017, quando nos valemos de uma observação do Professor Silvio Meira (Emérito da UFPE e atualmente na CESAR School) a respeito de sua visão (à época) da nova dinâmica do setor automobilístico, para podermos fazer uma proposta de política pública.

Naquela oportunidade, apontávamos que o Prof. Meira sugeria uma possível nova configuração da Smiling Curve (Curva Sorriso) para o setor automobilístico, onde as etapas de design e projeto, bem como as de serviço e atendimento estavam diminuindo em importância (e passaram a ser commoditizadas), e que as etapas de maior agregação de valor seriam aquelas etapas extremas (na cadeia de valor); ou seja, de um lado as etapas de ideação/integração de componentes e sistemas voltados para a autonomia dos automóveis, e de outro, as de desenvolvimento de sistemas e redes de mobilidade compartilhada (Figura 1 à frente).

O que acreditamos que esteja ocorrendo é algo semelhante no setor de retail/varejo global, que está se transformando digitalmente de forma acelerada junto com a moderna produção de bens físicos e financeiros. Adaptando a Figura 1 ao tratamento do setor de varejo, podemos perceber que, em um dos extremos - à esquerda- da Smiling Curve [para produtos em geral, incorporando movimentos que a indústria está chamando de D2C- Direct to Consumer, de DDOs- Design and Distribution Obligations, e de PIPs - Product Intervention Powers (*)] há um crescente desenvolvimento de atividades de ideação/integração de componentes e sistemas voltados para a customização, a compatibilidade, a adaptabilidade e autonomia de novos produtos, e no outro extremo - à direita - tem havido incremento no desenvolvimento de sistemas e redes para melhorias nas experiências de uso dos consumidores (que são cada vez mais exigentes e informados) (Figura 2 à frente).

Um dos catalisadores desse fenômeno é a Amazon (líder mundial em distribuição). De um início a partir do inovador comércio de livros pela Internet, passando pela criação de um amplo marketplace no varejo, até o desenvolvimento de tecnologias importantes como cloud computing, hoje a Amazon se agiganta e está fortemente focada na construção de produtos de serviços financeiros que deem suporte à sua meta estratégica central: aumentar a participação no seu próprio ecossistema. Ressalte-se que a empresa não está tentando se tornar um banco tradicional; mas pelo seu tamanho e importância, ela está construindo um banco para ela própria.

Na outra ponta do mercado global estão os gigantes asiáticos, como a Alibaba. Como já tratado aqui nas newsletters de 04/02/2018, 23/09/2018, e 25/11/2018, Alibaba é um gigante do comércio digital, apresentando os seguintes números: de 75 a 80% do comércio digital da China; algo como 50% do sistema de pagamentos chinês; é a maior plataforma de mídia social daquele país (com + de 400 milhões de usuários mensais); 20% do mercado de streaming de vídeo; e algo como 5% do mercado de engenho de busca.

Em junho de 2019, Facebook, um dos gigantes do mercado de tecnologia global, anunciou ao mundo sua iniciativa de criptomoeda: a Libra. Em junho próximo passado, o WhatsApp (com 120 milhões de usuários no Brasil), ferramenta de comunicação do Facebook, anunciou sua intenção de entrar no mercado de meios de pagamentos brasileiro. A empresa mira o mercado de pagamentos instantâneos de 30 (trinta) trilhões de dólares, como apontamos na newsletter de 21/06/2020.

No âmbito do varejo propriamente nacional dito, Magazine Luiza, Via Varejo, B2W anunciam vendas crescentes a partir de suas variantes digitais, marcadamente neste período de pandemia, quando os consumidores foram forçados ao distanciamento e ao isolamento sociais. Destaque principal para a transformação digital do Magazine Luiza, referência marcante nas rodas de tecnologias de informação e comunicação.

Adicionalmente, vimos a disputa recente da Stone, credenciadora de cartões de crédito, com a Totvs, uma das maiores empresas de software do país, pela conquista da Linx, fornecedora de sistemas de tecnologia para o varejo. O caso está em julgamento na Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência – CADE.

Finalmente, assistimos este ano o lançamento de várias iniciativas pelo Banco Central do Brasil (tratadas na newsletter de 12/07/2020) visando: a) proatividade para lidar com um mundo em que modelos de negócios se adaptam rapidamente; b) estímulo à entrada de novos competidores, frequentemente os não tradicionais (Fintechs e outros); c) Garantir que todos os processos sejam baseados em proteção de dados; d) Desenvolvimento da intermediação financeira através iniciativas como: Open Banking, Pagamentos Instantâneos (PIX), e Sandbox.

Em resumo, pelo relatado podemos inferir que o novo varejo global está se consolidando a partir de dois polos globais: um que gravita ao redor de ecossistemas de empresas como a Amazon e Facebook, e outro que orbita ao redor de ecossistemas como o da Alibaba. No meio termo, vemos algumas empresas no Brasil tentando conquistar um espaço nesta nova conformação de um setor que se digitaliza e se agiganta muito rapidamente! Há, todavia, ainda um longo caminho pela frente para se saber quem vencerá essa batalha!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre os rumos do varejo global, não hesite em nos contatar!

(*) Voltaremos a tratar sobre DDOs e PIPs em outra oportunidade!

 

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