Novas Teorias do Valor (New Value Theories)

22 20No ambiente do empreendedorismo contemporâneo é muito comum o contato com as seguintes expressões: proposição de valor, proposição única de valor, geração de valor, distribuição de valor, captura de valor, qual valor se está entregando à sociedade, valor percebido, e por aí vai. É muita gente falando sobre valor, e muita gente sem ter a mínima ideia do que é, na realidade, a noção de valor (*).

O conceito de valor sempre foi muito caro aos profissionais de Economia. Desde Adam Smith, intelectual do século 18, considerado o Pai da Economia Moderna, o conceito de valor ganhou um destaque particular entre os analistas econômicos. No entanto, neste século 21 é possível identificar uma certa banalização do termo, o que pode levar a um uso inadequado, ou a uma divergência do que realmente interessa quando se lida com o conceito.

Do ponto de vista teórico, existem dois importantes paradigmas definidores do conceito de valor: a) O paradigma padrão do valor extrínseco baseado em torno da ideia de utilidade, e, b) O paradigma alternativo e não-linear do valor intrínseco (**).

O valor extrínseco, também chamado de “teoria subjetiva do valor”, atesta que o valor de um bem é determinado pela importância que um indivíduo coloca em um bem para o alcance dos seus desejados fins, o que é chamado de utilidade. Neste paradigma, o valor não pode ser medido ou observado. E aí os economistas encontraram um modo para inferir as utilidades subjacentes às escolhas observadas: as chamadas preferências reveladas.

Esse valor extrínseco é a noção de valor que nos acostumamos a lidar desde meados do século 19, varrendo todo o século 20, noção esta que evoluiu a partir daquela observada pelos Mercantilistas no século 16 (que acreditavam que o valor provinha do Comércio), daquela dos Fisiocratas no século 17 (que entendiam o valor provindo dos frutos da Agricultura), e daqueles participantes da Escola Clássica da Economia (a partir de Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx, que defenderam que o valor, e a riqueza, provinham do Trabalho).

Como nesse modelo a utilidade é sempre definida através de preferências reveladas, ela sempre existe com respeito a alguém, ou a alguma organização. Daí que o valor objetivo de algo é definido no seio da interação entre produtores e consumidores maximizando suas funções utilidades, através do mecanismo do mercado. Logo, ele (modelo) nos proporciona um mecanismo bem compacto, limpo e robusto para avaliar algo objetivamente. Sendo assim, o preço reflete a utilidade que compradores obtêm das coisas. Desta forma, nesse modelo algo não pode ter valor independente de alguém desejá-lo. O valor de uma entidade não pode ser dependente de outra coisa, e não pode ser dependente de contexto.

No entanto, o valor das coisas muda, dependendo do contexto, e o valor pode, de fato, algumas vezes ser completamente definido pelo contexto. E ao incorporarmos o contexto como um fator definidor do valor, isso nos leva a um novo paradigma denominado valor intrínseco. Nele, o valor é reconhecido em relação a outras coisas, e, daí, é dependente dessas outras coisas que chamamos de contexto.

Neste modelo alternativo, o valor se dá em como as coisas estão contextualizadas, dos pontos de vista cultural, social, tecnológico e ambiental. E isso ocorre por conta do fato de que a rede em que se obtém valor está crescendo. Logo, o valor dessas coisas está no fato de que elas dão acesso a uma rede que tem valor como um todo. Adicionalmente, o valor está tanto no acesso a uma rede, quanto na capacidade dessa rede demonstrar integridade (quão mais íntegra, maior o valor).

Dito de outra forma, o valor intrínseco emerge da rede de conexões em que a entidade está incorporada, e o valor muda dependendo do contexto. Ao contrário do valor extrínseco (onde o valor é uma variável homogênea), o valor intrínseco é heterogêneo, e é derivado de uma rede diversa de interações sociais, culturais e tecnológicas.

Não é por outra razão que vemos tanto sucesso em modelos de negócios que têm como base o conceito de “economias de redes”, ou seja, negócios que se apoiam na noção de “efeito de rede”, onde o valor de um produto ou serviço aumenta quando outros compram o mesmo produto ou serviço.

Voltaremos a tratar sobre novas teorias do valor, marcadamente ao resenharmos o livro “The Value of Everything: Making & Taking in the Global Economy” (O Valor de Tudo: Fazendo & Levando na Economia Global), produzido pela Profa. Mariana Mazzucato!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre noções de valor, não hesite em nos contatar!

(*) Não se pode esquecer das versões populares, como aquela atribuída a Warren Buffet (investidor bilionário norte-americano), de que “preço é o que você paga, valor é o que você recebe”!

(**) Não estamos tratando aqui (diretamente, ou propriamente dito) do conceito de valor intrínseco em Finanças Corporativas, o qual se refere a uma percepção do investidor do valor inerente de um ativo, tais como uma ação de uma empresa, uma opção, ou imóvel!  

PS: Esta newsletter se baseou em trabalhos da plataforma http://www.systemsinnovatio.io/

 

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